Comigo não violão!
Trânsito engarrafado eu tranquilamente ouvindo The Doors... Ando de vidros abertos sem medo nenhum do perigo e la na rua Pitangui que é muito estreita, os motoqueiros tem que ter perícia pra passar entre os carros... Aí, to eu parada e vem um motoqueiro, para do meu lado e fala : Me passa seu telefone... O que? Seu telefone, ai ja fala alto por causa do som .. Meu telefone? o que? tá doido? pirou? O sujeito deu linha e eu fiquei lá me achando, o casal do carro ao lado meio sem entender arrancaram o carro, eu seguindo o fluxo, continuei meu caminho pra buscar meu neto na escola. .. A noite na festa, já animada, cheia de cerveja começam as conversas de tontos e eu fui contar vantagem, que o cara tinha me cantado querendo meu telefone ... Hoje depois de uma boa noite de sono e um suculento café da manhã feito por meu amado marido que confia plenamente no taco dele, comecei a pensar direito. .. Eu saí com uma touca de inverno vermelha, tava uma feiura só , tinha uma festa pra ir e pra não estragar a escova fiz essa guaribada. Meu filho deixou o carregador no carro e eu coloquei o celular pra carregar e estava bem exposto. Eureka! Era o telefone que o sujeito queria! Com aquele minha aparência ninguém se arriscaria a se equilibrar pra chegar tão perto, minha cantada não passou de uma tentativa de assalto! Podia até não estar linda, mais com minha braveza e fidelidade, aquele babaca não levou a melhor . A noite, toda embonecada me achando linda contei essa proeza. Mas como dizia minha mãe quem não se enfeita, por si se enjeita, mesmo sem me ajeitar e confundindo assalto com cantada, em mim e no que é meu, só põe a mão quem eu deixar e pra isso minha coragem é parelha com bandido. Comigo não violão ! 3/10/2016 |
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
Comigo não violão !
Treinador arrojado
Treinador arrojado
Fui buscar meu bisneto na escola, sempre que vou, levo lanche a bola e deixo ele brincar...
Hoje Tatiana e Gisele também foram, Tati reencontrou alguns amigos e ficou de conversa com uma delas.
Os amigos do Henrique foram saindo e ele me chamou pra jogar bola e la foi eu, no meu sedentarismo perene atendi. ..
Agora to aqui, parece que distendeu alguma coisa e que me contundi.
Quando comecei a mancar e falei que doía a batata da perna,ele falou que era por que eu estava chutando fraco e que se chutasse forte passava, nos meus 58 anos sem nunca fazer nenhum esforço, tive de correr, cercar e ainda acertar o gol, fui acreditar num menino de 7 anos e agora to assim, um bagaço !
Pelo jeito a noite vai ser longa, o pior é que ele mandou eu descansar que amanhã vamos treinar de novo. ..
Acho que errei de programa, se eu tivesse panfletando pro candidato daqui de casa, estaria livre dessa bola e dessa dor.
Amanhã vou convencê lo de que é melhor ficar aqui, pra eu ficar sentada com minhas pernas descansando e me poupando, que senão dia da eleição manca como estou, vou ter que sair de casa, no dia anterior.
E o número do candidato é 54007, votem pra mim porque com esse treinador que arranjei, campanha política só nas outras eleições !
Promessas
Promessas
Fiz uma promessa pra Nossa Senhora Aparecida que se eu estiver viva quando Gisele fizer 7 anos iremos a Aparecida do norte assistir uma missa e agradecer por nossas vidas e saúde.
Fiz esse plano de unir o útil ao agradável, viajar com minha neta levá-la pra conhecer o maior e mais emocionante lugar de peregrinação do Brasil e de quebra me garantir mais uns anos de vida.
Depois de ir lá, vou também fazer outra promessa de ir a Lapa quando ela tiver 15 , depois iremos ver o Papa em Roma e se tudo correr dentro do planejado vou chegar a quase 80...
Espero que os Santos atendam minhas preces porque vontade e saúde pra isso eu tenho, se bem que do jeito que as coisas andam nem neles da pra confiar. Tem um livro de Dráuzio Varella que narra bem essa história dos pacientes terminais que se negam a morrer e cobrar a fé que tem, daí o direito de viver mesmo Deus não querendo...
Os crentes no desespero até repreendem a morte em nome de Jesus, mas como Ele é filho de Deus e obedece o Pai, não tem jeito, pode até achar que se salvou mas morre também.
Minha mãe dona de grande fé em Deus, apegada a tudo que vinha de cima tem anos que como meu.pai que também era assim está lá em cima cuidando de ser meus Anjos da Guarda.
Meu irmão com toda fé, otimismo e alegria, achou que fazendo graça, fazendo história ia ser poupado, também não escapou e agora pela primeira vez, to indo pro dia de finados levar flores e enganar a tristeza num lugar que temos certeza ele não queria estar. ..
É, contando com os Santos a sorte e acima de tudo a misericórdia Divina vou ficando por aqui, tentando tirar um cochilo pra viajem ficar mais curta e rápida , porque o sono eterno não espero e nem quero por agora,. tenho muito que ver, dar risada correr muito atrás dos netos e bisneto, viajar com meu neném. ..
Deus, meu pai, minha Luz, meu amor maior sabe, que eu só escrevo, brinco e falo bobagens, mais que dentro do meu peito, meu coração bate até o dia que Ele quiser, por que quando Ele não quiser é só me chamar que eu vou,, rindo, feliz e cantando .....
É preciso saber viver e com Ele eu sei, aqui ou lá.
Fiz esse plano de unir o útil ao agradável, viajar com minha neta levá-la pra conhecer o maior e mais emocionante lugar de peregrinação do Brasil e de quebra me garantir mais uns anos de vida.
Depois de ir lá, vou também fazer outra promessa de ir a Lapa quando ela tiver 15 , depois iremos ver o Papa em Roma e se tudo correr dentro do planejado vou chegar a quase 80...
Espero que os Santos atendam minhas preces porque vontade e saúde pra isso eu tenho, se bem que do jeito que as coisas andam nem neles da pra confiar. Tem um livro de Dráuzio Varella que narra bem essa história dos pacientes terminais que se negam a morrer e cobrar a fé que tem, daí o direito de viver mesmo Deus não querendo...
Os crentes no desespero até repreendem a morte em nome de Jesus, mas como Ele é filho de Deus e obedece o Pai, não tem jeito, pode até achar que se salvou mas morre também.
Minha mãe dona de grande fé em Deus, apegada a tudo que vinha de cima tem anos que como meu.pai que também era assim está lá em cima cuidando de ser meus Anjos da Guarda.
Meu irmão com toda fé, otimismo e alegria, achou que fazendo graça, fazendo história ia ser poupado, também não escapou e agora pela primeira vez, to indo pro dia de finados levar flores e enganar a tristeza num lugar que temos certeza ele não queria estar. ..
É, contando com os Santos a sorte e acima de tudo a misericórdia Divina vou ficando por aqui, tentando tirar um cochilo pra viajem ficar mais curta e rápida , porque o sono eterno não espero e nem quero por agora,. tenho muito que ver, dar risada correr muito atrás dos netos e bisneto, viajar com meu neném. ..
Deus, meu pai, minha Luz, meu amor maior sabe, que eu só escrevo, brinco e falo bobagens, mais que dentro do meu peito, meu coração bate até o dia que Ele quiser, por que quando Ele não quiser é só me chamar que eu vou,, rindo, feliz e cantando .....
É preciso saber viver e com Ele eu sei, aqui ou lá.
terça-feira, 17 de novembro de 2015
Esse brinco não tem na Galeria Lafayette
Outro dia fui num velório me encontrar com uma amiga pra matar a saudade, pois ela estava voltando da Europa, levada pela mãe que passeia por meio mundo.
Depois de conhecer a filha conheci a mãe e no final gosto das duas e de quem mais as cercam, as filhas, os maridos, as irmãs, os sobrinhos e até de Angélica , que trabalha no sítio da família.
Essa dai de anjo nada tem, pois com quinze dias de resguardo e a uma semana da morte do marido, conheceu um moço, que chegou na porta pedindo um copo d’água e perguntou pelo pai da criança que ela carregava no colo. Ela chorosa contou a tragédia e ele não se fazendo de rogado já foi logo perguntando, você não me quer pra ajudar criar sua filha não?
- Pula pra dentro - ela respondeu imediatamente, claro, de olhos azuis, com o nome de Deusmar mas que Dele não tem nada pois é bravo que só, ele pulou e lá permanece há uns dezoito anos com mais seis filhos que tiveram...
A mãe, minha amiga, viaja e viaja, quando não esta num carro ou avião viaja na emoção.
Poetisa de carteirinha, romântica que só, escreve aos borbotões, sobre a vida, as flores os amigos, a fé, o que vê, o que crê ... .
Quando esta pras bandas de lá , traz mimos pra todos, tem curiosidade pra conhecer tudo e foi nesse encontro que ela me prometeu um pirulito especial vindo diretamente da Holanda .
Tenho amigas queridas que me trazem cremes anti age, perfumes que perfumam a mim e lugares onde chego, mais só ela com sua cabeça moderna pra trazer esse mimo, em Amsterdam, entrou em Sexshop viu toda qualidade e modelo de coisas de arrepiar cabelos e outras partes, as filhas, vermelhas como pimentão escutam as historias, lembram os presentes , mas vindo com tanto carinho da mãe, foi melhor aceitar...
Nesse velório enquanto me contava as peripécias da viajem e eu rindo de atrapalhar a concentração dos que sofriam com a perda, enxerguei na outra sala onde velavam outra pessoa, uma senhorinha com um brinco lindo na orelha, mudei o foco do pensamento e com toda doçura que me é peculiar quando preciso, fui la, perguntei quem era a pessoa e de que tinha morrido.
Fiquei por ali, mostrei meu pesar e fui direto ao ponto, onde comprou e quanto custou aquele brinco, a doninha tinha comprado lá pros lados de Santa Luzia por 10 reais, ofereci vinte, ela aceitou, dei os meus a ela, coloquei os brincos dela na minha orelha e toda feliz voltei pro nosso velório e as historias da Holanda, com minha amiga que achou diferente a minha coragem de negociar um brinco no cemitério .
É, como eu falei, ela é que é diferente e especial, pois o pirulito que me deu, veio junto com muitos outros que se esquecendo de guardar ficou no fácil e os netos depois de achar, foi uma alegria só, afinal cannabis sativa fez a tarde mais animada , as brincadeiras mais engraçadas ..
Agora penso nas filhas dela, acho que não tiveram curiosidade de brincar com os presentes e balançando meus brincos, agradeço a Deus e peço mais saúde para que ela faça mais viagens e viaje...
Depois de conhecer a filha conheci a mãe e no final gosto das duas e de quem mais as cercam, as filhas, os maridos, as irmãs, os sobrinhos e até de Angélica , que trabalha no sítio da família.
Essa dai de anjo nada tem, pois com quinze dias de resguardo e a uma semana da morte do marido, conheceu um moço, que chegou na porta pedindo um copo d’água e perguntou pelo pai da criança que ela carregava no colo. Ela chorosa contou a tragédia e ele não se fazendo de rogado já foi logo perguntando, você não me quer pra ajudar criar sua filha não?
- Pula pra dentro - ela respondeu imediatamente, claro, de olhos azuis, com o nome de Deusmar mas que Dele não tem nada pois é bravo que só, ele pulou e lá permanece há uns dezoito anos com mais seis filhos que tiveram...
A mãe, minha amiga, viaja e viaja, quando não esta num carro ou avião viaja na emoção.
Poetisa de carteirinha, romântica que só, escreve aos borbotões, sobre a vida, as flores os amigos, a fé, o que vê, o que crê ... .
Quando esta pras bandas de lá , traz mimos pra todos, tem curiosidade pra conhecer tudo e foi nesse encontro que ela me prometeu um pirulito especial vindo diretamente da Holanda .
Tenho amigas queridas que me trazem cremes anti age, perfumes que perfumam a mim e lugares onde chego, mais só ela com sua cabeça moderna pra trazer esse mimo, em Amsterdam, entrou em Sexshop viu toda qualidade e modelo de coisas de arrepiar cabelos e outras partes, as filhas, vermelhas como pimentão escutam as historias, lembram os presentes , mas vindo com tanto carinho da mãe, foi melhor aceitar...
Nesse velório enquanto me contava as peripécias da viajem e eu rindo de atrapalhar a concentração dos que sofriam com a perda, enxerguei na outra sala onde velavam outra pessoa, uma senhorinha com um brinco lindo na orelha, mudei o foco do pensamento e com toda doçura que me é peculiar quando preciso, fui la, perguntei quem era a pessoa e de que tinha morrido.
Fiquei por ali, mostrei meu pesar e fui direto ao ponto, onde comprou e quanto custou aquele brinco, a doninha tinha comprado lá pros lados de Santa Luzia por 10 reais, ofereci vinte, ela aceitou, dei os meus a ela, coloquei os brincos dela na minha orelha e toda feliz voltei pro nosso velório e as historias da Holanda, com minha amiga que achou diferente a minha coragem de negociar um brinco no cemitério .
É, como eu falei, ela é que é diferente e especial, pois o pirulito que me deu, veio junto com muitos outros que se esquecendo de guardar ficou no fácil e os netos depois de achar, foi uma alegria só, afinal cannabis sativa fez a tarde mais animada , as brincadeiras mais engraçadas ..
Agora penso nas filhas dela, acho que não tiveram curiosidade de brincar com os presentes e balançando meus brincos, agradeço a Deus e peço mais saúde para que ela faça mais viagens e viaje...
quarta-feira, 27 de maio de 2015
Do São João a Miami só é preciso coragem!
Do São João a Miami só é preciso coragem!
Quando pequena eu tomava leite de cabra.
Meu pai acostumado as delicias nordestinas nos ensinou desde cedo que leite de cabra era mais gostoso e mais forte .
Pra garantir minha robustez ele carregava uma cabra amarrada na carroceria do caminhão e em qualquer lugar, Bida, esse era o nome dela, tinha leite fresco e quente pra me alimentar...
Depois quando comecei a estudar ela também se acomodou na nossa casa, que tinha um quintal que ia de uma rua a outra, com pés de manga, figo, goiaba, urucun e uma horta que só tinha couve, toda tarde meus irmãos levava a cabra pra pastar, enquanto eu tentava pegar girinos, num córrego sujo que tinha na beira da linha férrea, pra ver se viravam sapos.
Parei de viajar com meu pai por volta dos sete anos, pra estudar, pois ninguém entrava na escola antes disso e você passava esse tempo solto na vida, só por conta de brincar e sonhar.
Meu pai tinha um caminhão que era pau – de- arara, a estrada era nossa casa, no caminhão além da lona que cobria e os bancos de madeiras onde as pessoas se sentavam, não podia faltar um fogão e tudo que uma cozinha precisava.
Rapadura, farinha, feijão carne de sol, banha de porco e vontade de minha mãe fazer comida em qualquer parada, muitas vezes fomos à Brasília levar trabalhadores pra serem contratados pra trabalhar naquela que hoje é a capital do país. A primeira vez que fui, o moço que contratava os trabalhadores, por não ter lugar no alojamento, nos levou pra um hotel que também estava tendo uma reforma feita por ele e ali pela primeira vez, tive contato com as beneficias de quem tem dinheiro .
A noite minha mãe ligava e pedia o jantar, chegava o garçom com uma sopa que antecedia o jantar, eu e meu irmão, nos fartávamos de comer, de chegar a ter congestão de tanta barriga cheia, pois o gosto era bem diferente das gororoba feita nas estradas e alem da comida boa, conheci e aprendi a telefonar ali, toda hora eu tinha alguma coisa pra falar na recepção....
Passar por São Paulo era doer o pescoço de tanta curiosidade, vendo aquele amontoado de gente e aqueles prédios que nem eu nem meus irmãos tínhamos coragem de subir, minha irma nasceu lá.
No Rio de Janeiro, o mar com aquela onda que corria atrás da gente, me faz ter medo dele até hoje, pois meu pai, com os parentes de minha mãe que lá moravam, só diziam que a onda levava, que a maré derrubava e eu que nunca que ia arriscar, lá também nasceu uma irmã e outros em vários lugares...
Viajar por dias e dias não era das melhores coisas a fazer, mas só percebi isso depois, quando fincamos os pés em Valadares.
Lá andar de bicicleta, ouvir falar da América e estudar fez uma grande diferença na minha vida, ir a programas de auditório, foi um passo pra começar a cantar na radio Educadora e Por um Mundo Melhor que quase me fez ser cantora.
No Natal ganhava bonecas da Estrela, bicicleta, até um acordeon ganhei um dia, tinha muita diversão e liberdade, muitas alegrias com carnavais no Ilusão, desfiles com carros alegóricos que enchiam os olhos e o coração de orgulho e mais ainda, quando minha irmã foi destaque.
Mas mudar de mala e cuia pra Itaobim de um dia pro outro, me fez parar de sonhar e viver uma realidade que só depois de estar bem longe me fez ter alguma saudade.
Sentia falta de muita coisa, me tiraram a boa escola, os amigos, televisão, música, livros e festas, mas logo me adaptei a falta de tudo e comecei a brincar de boi com maxixe, de cozinhadinha, de subir nos pés de manga, de coco, de comer frutas do mato, de pescar com minhoca tirada da terra, de lavar roupas com as lavadeiras do Hotel, de arear as panelas com areia e mato, de fazer sabão com soda, de matar galinhas, matar passarinhos com estilingue, redar na beira do córrego, engolir piaba viva pra aprender a nadar, matar e cozinhar cobra, participar dos sambas em mãe Nora, dançar nas festas juninas de Dé Rodrigues, correr atrás do boi de janeiro, ser pastorinha nas folias de Reis, tomar cachaça quente em Guiomar Ferraz, comer as comidas esquisitas de Canjira, atravessar a ponte de bicicletas com as mãos soltas, jogar o material escolar de cima da ponte no quintal de Julao e descer correndo pra buscar com medo dele e planejar durante dias uma descida de bananeira pelo córrego São João.
Foram tantas aventuras que quando paro pra pensar nem eu acredito, por isso escrevo pra não esquecer...
Numa das vezes em que fomos descer nas bananeiras não consegui descer a tempo e como não sabia nadar cheguei ate o rio Jequitinhonha as amigas de aventura gritaram e um canoeiro conseguiu me tirar de lá, mas se por um momento eu tivesse lembrado dos amigos de Valadares, ia dar um safanão no canoeiro, seguir boiando e quem sabe chegar até Miami, nadar eu nunca aprendi, mais coragem eu tinha de sobra!
Meu pai acostumado as delicias nordestinas nos ensinou desde cedo que leite de cabra era mais gostoso e mais forte .
Pra garantir minha robustez ele carregava uma cabra amarrada na carroceria do caminhão e em qualquer lugar, Bida, esse era o nome dela, tinha leite fresco e quente pra me alimentar...
Depois quando comecei a estudar ela também se acomodou na nossa casa, que tinha um quintal que ia de uma rua a outra, com pés de manga, figo, goiaba, urucun e uma horta que só tinha couve, toda tarde meus irmãos levava a cabra pra pastar, enquanto eu tentava pegar girinos, num córrego sujo que tinha na beira da linha férrea, pra ver se viravam sapos.
Parei de viajar com meu pai por volta dos sete anos, pra estudar, pois ninguém entrava na escola antes disso e você passava esse tempo solto na vida, só por conta de brincar e sonhar.
Meu pai tinha um caminhão que era pau – de- arara, a estrada era nossa casa, no caminhão além da lona que cobria e os bancos de madeiras onde as pessoas se sentavam, não podia faltar um fogão e tudo que uma cozinha precisava.
Rapadura, farinha, feijão carne de sol, banha de porco e vontade de minha mãe fazer comida em qualquer parada, muitas vezes fomos à Brasília levar trabalhadores pra serem contratados pra trabalhar naquela que hoje é a capital do país. A primeira vez que fui, o moço que contratava os trabalhadores, por não ter lugar no alojamento, nos levou pra um hotel que também estava tendo uma reforma feita por ele e ali pela primeira vez, tive contato com as beneficias de quem tem dinheiro .
A noite minha mãe ligava e pedia o jantar, chegava o garçom com uma sopa que antecedia o jantar, eu e meu irmão, nos fartávamos de comer, de chegar a ter congestão de tanta barriga cheia, pois o gosto era bem diferente das gororoba feita nas estradas e alem da comida boa, conheci e aprendi a telefonar ali, toda hora eu tinha alguma coisa pra falar na recepção....
Passar por São Paulo era doer o pescoço de tanta curiosidade, vendo aquele amontoado de gente e aqueles prédios que nem eu nem meus irmãos tínhamos coragem de subir, minha irma nasceu lá.
No Rio de Janeiro, o mar com aquela onda que corria atrás da gente, me faz ter medo dele até hoje, pois meu pai, com os parentes de minha mãe que lá moravam, só diziam que a onda levava, que a maré derrubava e eu que nunca que ia arriscar, lá também nasceu uma irmã e outros em vários lugares...
Viajar por dias e dias não era das melhores coisas a fazer, mas só percebi isso depois, quando fincamos os pés em Valadares.
Lá andar de bicicleta, ouvir falar da América e estudar fez uma grande diferença na minha vida, ir a programas de auditório, foi um passo pra começar a cantar na radio Educadora e Por um Mundo Melhor que quase me fez ser cantora.
No Natal ganhava bonecas da Estrela, bicicleta, até um acordeon ganhei um dia, tinha muita diversão e liberdade, muitas alegrias com carnavais no Ilusão, desfiles com carros alegóricos que enchiam os olhos e o coração de orgulho e mais ainda, quando minha irmã foi destaque.
Mas mudar de mala e cuia pra Itaobim de um dia pro outro, me fez parar de sonhar e viver uma realidade que só depois de estar bem longe me fez ter alguma saudade.
Sentia falta de muita coisa, me tiraram a boa escola, os amigos, televisão, música, livros e festas, mas logo me adaptei a falta de tudo e comecei a brincar de boi com maxixe, de cozinhadinha, de subir nos pés de manga, de coco, de comer frutas do mato, de pescar com minhoca tirada da terra, de lavar roupas com as lavadeiras do Hotel, de arear as panelas com areia e mato, de fazer sabão com soda, de matar galinhas, matar passarinhos com estilingue, redar na beira do córrego, engolir piaba viva pra aprender a nadar, matar e cozinhar cobra, participar dos sambas em mãe Nora, dançar nas festas juninas de Dé Rodrigues, correr atrás do boi de janeiro, ser pastorinha nas folias de Reis, tomar cachaça quente em Guiomar Ferraz, comer as comidas esquisitas de Canjira, atravessar a ponte de bicicletas com as mãos soltas, jogar o material escolar de cima da ponte no quintal de Julao e descer correndo pra buscar com medo dele e planejar durante dias uma descida de bananeira pelo córrego São João.
Foram tantas aventuras que quando paro pra pensar nem eu acredito, por isso escrevo pra não esquecer...
Numa das vezes em que fomos descer nas bananeiras não consegui descer a tempo e como não sabia nadar cheguei ate o rio Jequitinhonha as amigas de aventura gritaram e um canoeiro conseguiu me tirar de lá, mas se por um momento eu tivesse lembrado dos amigos de Valadares, ia dar um safanão no canoeiro, seguir boiando e quem sabe chegar até Miami, nadar eu nunca aprendi, mais coragem eu tinha de sobra!
sexta-feira, 22 de maio de 2015
A DONA DA SAIA...
A DONA DA SAIA...
Tenho uma Irma que reside há quatro anos nos Estados Unidos e contaminada pelo consumismo, tem a deliciosa mania de enviar-me presentes. Tudo da melhor marca, com preços fora da minha realidade brasileira, de classe média.
Bem, em uma das vezes que eu e minha filha, também beneficiada, recebemos a encomenda veio uma saia super moderna, de marca famosa e trazia junto o preço, nada mais nada menos que $ 175, isso mesmo, só cento e setenta e cinco dólares! Esse valor todo destinado a uma saia reta, presa à cintura por poucos prendedores pequeninos e que deixa a mostra as pernas até a altura do joelho.
Eu, mulher moderna, dona da própria moda, adorei a saia. A estréia ocorreu numa bela manhã de outono, quando vesti uma meia calça azul-bebê. Ao perceber que não combinava com os tons marrons da saia, colocou por cima uma outra meia calça preta com furos nas nádegas e nas pernas. Não me pergunte o porquê guardar uma meia nesse estado, no mínimo era diferente. Vestida com as meias, coloco a linda saia, uma blusa preta de manga comprida e por fim as botas para compor o visual.
Como era dia de semana, fiz meu trajeto normal, sai de casa cantando, com a bolsa de lado e segui a pé em direção à sede do IPSEMG, onde trabalho. Subi a Av. João Pinheiro como se fosse a Fifth Avenue, avenida famosa lá na região da minha irma. Segui cantando, bem feliz e imponente com a saia nova, bem na minha, me achando...
Próximo ao Detran, antes de atravessar a rua Aimorés, fica um feirante, vendedor de água de coco, pedaço de abacaxi, laranja descascada, pipoca, bala e chicletes. Está ali todos os dias, é um senhor já com seus 60 anos, sério e muito concentrado no trabalho. Eu que seguia bem distraída, não observei que este senhor insistia para falar comigo, continuei caminhando com sentido a praça da Liberdade. O senhor chamava, gritava assoviava e eu nada.
Ao esperar um carro passar na travessia da rua Aymorés, fui surpreendida por um vento bem frio nas pernas...Gelei porque não senti a saia no corpo. Nesse instante, o senhor que gritava foi alvo da minha atenção. Virei para trás e vi sem querer acreditar, que ele, logo ele, sacudia nas mãos a saia americana, a saia bonita e cara...Escutei:
- Dona, dona a sua saia, dona! Ó aqui a sua saia!
Eu voltei xingando todos os nomes não apropriados para este texto, com as pernas cobertas por aquela meia calça toda furada, em meio a Avenida João Pinheiro por volta das 13:00h, horário em que os homens enchiam as ruas em torno do Detran. O senhor sem conseguir disfarçar o sorriso tentava me ajudár:
- Dona, entra no carro pra vestir a saia...´
Pode entrar aqui na kombi...
- Que entra no carro o quê!? Me dá logo esta saia aí!!!
Nesse tom bem desaforado, como se o senhor fosse o culpado, eu tomei a saia das mãos dele, vesti ali mesmo e segui para o meu trabalho. A princípio com a cara bem emburrada, mas à medida que ia chegando à praça da Liberdade, o mal humor foi dando lugar a gargalhada...
Sentei na calçada e ri até cansar lembrando o visual horroroso que ficou exposto, a bunda coberta por uma meia preta toda furada e um fundo azul bebe ...
Esse senhor, que está lá no mesmo lugar, toda vez que eu passo, morre de rir, viramos amigos e ele conta para todos os clientes que param por ali a estória da dona que perdeu a saia...A única que não acredita é a esposa dele, que o acusou de safado e sem-vergonha por inventar uma estória como essa:
- “Onde já se viu, uma mulher perder a saia!”
Mas ele não liga, é só parar alguém que ele começa... “Eu que pensava que já tinha visto de tudo não imaginava ver uma dona perder a saia e ir embora. Ah! Se eu não grito...”
Tenho uma Irma que reside há quatro anos nos Estados Unidos e contaminada pelo consumismo, tem a deliciosa mania de enviar-me presentes. Tudo da melhor marca, com preços fora da minha realidade brasileira, de classe média.
Bem, em uma das vezes que eu e minha filha, também beneficiada, recebemos a encomenda veio uma saia super moderna, de marca famosa e trazia junto o preço, nada mais nada menos que $ 175, isso mesmo, só cento e setenta e cinco dólares! Esse valor todo destinado a uma saia reta, presa à cintura por poucos prendedores pequeninos e que deixa a mostra as pernas até a altura do joelho.
Eu, mulher moderna, dona da própria moda, adorei a saia. A estréia ocorreu numa bela manhã de outono, quando vesti uma meia calça azul-bebê. Ao perceber que não combinava com os tons marrons da saia, colocou por cima uma outra meia calça preta com furos nas nádegas e nas pernas. Não me pergunte o porquê guardar uma meia nesse estado, no mínimo era diferente. Vestida com as meias, coloco a linda saia, uma blusa preta de manga comprida e por fim as botas para compor o visual.
Como era dia de semana, fiz meu trajeto normal, sai de casa cantando, com a bolsa de lado e segui a pé em direção à sede do IPSEMG, onde trabalho. Subi a Av. João Pinheiro como se fosse a Fifth Avenue, avenida famosa lá na região da minha irma. Segui cantando, bem feliz e imponente com a saia nova, bem na minha, me achando...
Próximo ao Detran, antes de atravessar a rua Aimorés, fica um feirante, vendedor de água de coco, pedaço de abacaxi, laranja descascada, pipoca, bala e chicletes. Está ali todos os dias, é um senhor já com seus 60 anos, sério e muito concentrado no trabalho. Eu que seguia bem distraída, não observei que este senhor insistia para falar comigo, continuei caminhando com sentido a praça da Liberdade. O senhor chamava, gritava assoviava e eu nada.
Ao esperar um carro passar na travessia da rua Aymorés, fui surpreendida por um vento bem frio nas pernas...Gelei porque não senti a saia no corpo. Nesse instante, o senhor que gritava foi alvo da minha atenção. Virei para trás e vi sem querer acreditar, que ele, logo ele, sacudia nas mãos a saia americana, a saia bonita e cara...Escutei:
- Dona, dona a sua saia, dona! Ó aqui a sua saia!
Eu voltei xingando todos os nomes não apropriados para este texto, com as pernas cobertas por aquela meia calça toda furada, em meio a Avenida João Pinheiro por volta das 13:00h, horário em que os homens enchiam as ruas em torno do Detran. O senhor sem conseguir disfarçar o sorriso tentava me ajudár:
- Dona, entra no carro pra vestir a saia...´
Pode entrar aqui na kombi...
- Que entra no carro o quê!? Me dá logo esta saia aí!!!
Nesse tom bem desaforado, como se o senhor fosse o culpado, eu tomei a saia das mãos dele, vesti ali mesmo e segui para o meu trabalho. A princípio com a cara bem emburrada, mas à medida que ia chegando à praça da Liberdade, o mal humor foi dando lugar a gargalhada...
Sentei na calçada e ri até cansar lembrando o visual horroroso que ficou exposto, a bunda coberta por uma meia preta toda furada e um fundo azul bebe ...
Esse senhor, que está lá no mesmo lugar, toda vez que eu passo, morre de rir, viramos amigos e ele conta para todos os clientes que param por ali a estória da dona que perdeu a saia...A única que não acredita é a esposa dele, que o acusou de safado e sem-vergonha por inventar uma estória como essa:
- “Onde já se viu, uma mulher perder a saia!”
Mas ele não liga, é só parar alguém que ele começa... “Eu que pensava que já tinha visto de tudo não imaginava ver uma dona perder a saia e ir embora. Ah! Se eu não grito...”
sexta-feira, 8 de maio de 2015
Cabelo, cabelo, cabeluda,descabelada ...
Cabelo, cabelo, cabeluda,descabelada ...
Cabelo pixaim, bombril, bosta de rola,duro,liso,escorrido,seco,oleoso,ralo,cheio.
fino,grosso,crespo,cabelo,cabelo cabelo! Quer saber, na outra encarnação, se tiver um pedido a fazer, não me importo de ser feia, bonita, alta,, baixa, gorda, magra, branca, preta ...
Eu quero é ter cabelo bom!
Tenho uma amiga que tem salão que sempre me dizia curta e grossa, o melhor pra esse cabelo é tesoura, pois esses dois fios não passam daí .Uma vez me indicaram num salão, fazer hidratação pra aquentar o sal e o sol , quando voltei, queriam que eu fizesse outra, porque voltou ressecado e quebrado, ai fiquei P, pois nessa brincadeira só pra passear na praia gastei quase trezentos reais, fora os cremes e xampus especiais que tive que levar, supitei com essa dependência de ter cabelo assim ou assado que fui pro espelho e o cortei, tão curto que não tinha nem como pentear, era só lavar e passar a mao e ele ficava lá de um único jeito, eu perdi o rumo, me sentia esperando alguma coisa, depois eu vi, era o cabelo crescer, virar coque, rabo, trança, ficar desgrenhado...
Quando nova lá em Itaobim tive uma amiga que tinha um cabelo tão duro que ela entrava no rio e ficava aqueles pingos d’água brilhando ao sol, pra molhar tinha que ficar submersa, senão não molhava, de tão ruim que era .Um dia a mãe conseguiu um pouco de azeite de oliva com meu avô que era português e passava pelo menos uma vez por semana um pouco que colocava numa colher e amornava na lamparina, o cabelo foi crescendo se soltando, ate virar uma trança que batia na bunda, falo que o cabelo dela foi domado no azeite, hoje, depois das escovas definitivas deve sacudir ao vento lá pras bandas de São Paulo.De pequena, lavava meus cabelos com qualquer sabão, quando adolescente que veio a vaidade faltou dinheiro, então o maximo de gasto que me permitia era um sachê de creme rinse, daqueles rosinha que vendia em qualquer farmácia ou venda, tinha que dar pra duas lavadas, pareciam uma vassoura, tipo Gal, Elba Ramalho, Maria Bethania , hoje sei que aquela aparência riponga era falta de salão e produtos bons no mercado.
Uma vez passei Wellim e o bicho ficou tão liso que caia tanto no olho que tive que cortar uma franja e quando passou o efeito fiquei mesmo que ver aquele cantor chamado Ovelha...
Depois dessa proeza, um dia, andando de motocicleta com Nego de Rufino, descobri que o vento nos cabelos os deixava lizinho, pronto passava o dia inteiro querendo andar na garupa ou com a cabeça pro lado de fora de qualquer carro, em tempo de ficar sem a cabeça... Agora que posso comprar, esse cabelo aqui não fica barato não, tenho certeza que se tivesse juntado todo dinheiro que gastei com salão, bons cremes, óleos,pra antes durante e depois, daria pra dar a volta ao mundo. De Finesse, Kerastase, Payot, Aussie, Moroccanoil, Elseve, Tressemme, Pantene, Avon, Natura, Boticário, Phytoervas, Loreal, Dove, creme de tudo que é preço e marca, não faltou um !
Vendo Gisele Bundchen outro dia falando do BB Crem da Pantene, corri a primeira farmácia comprei e fui toda feliz pra falar com aquela minha amiga do salão, ela do alto de seu conhecimento capilar foi logo falando, ‘’Ela “ nasceu com aquele cabelo, qualquer coisa que ela passar,até titica de galinha, o cabelo vai brilhar, balançar e ser lindo, mas esse seu, só nascendo de novo, isso é em outra encarnação !
É, se não é pra chorar, graça eu não achei nenhuma, mas minha afilhada que mora em Teófilo-otoni me pediu outro dia que mandasse Yamasterol , um creme pós enxágüe que custa 2.90 reais mandei e comprei um pra mim, pois acreditem ou não, foi a melhor coisa que meu cabelo já viu , daqui pra frente dentro da minha humildade, vou parar de ostentar com ele e voltar as coisas simples, pois depois desse produto o que me lembro que fez bastante diferença foi a água de Nova York, eu nunca tive um cabelo tão bom, como quando estive lá ... .
E se um dia souberem que me mudei pro Azerbaijão podem ter certeza, foi a água boa pros cabelos que me levou tão longe, porque se descobrir que a água de lá é boa pro cabelo, vou e não olho pra traz, me nego a esperar uma nova encarnação pra ter lindas madeixas !
E como insiste aquela amiga, quem nasce pra Gabriela ....
fino,grosso,crespo,cabelo,cabelo cabelo! Quer saber, na outra encarnação, se tiver um pedido a fazer, não me importo de ser feia, bonita, alta,, baixa, gorda, magra, branca, preta ...
Eu quero é ter cabelo bom!
Tenho uma amiga que tem salão que sempre me dizia curta e grossa, o melhor pra esse cabelo é tesoura, pois esses dois fios não passam daí .Uma vez me indicaram num salão, fazer hidratação pra aquentar o sal e o sol , quando voltei, queriam que eu fizesse outra, porque voltou ressecado e quebrado, ai fiquei P, pois nessa brincadeira só pra passear na praia gastei quase trezentos reais, fora os cremes e xampus especiais que tive que levar, supitei com essa dependência de ter cabelo assim ou assado que fui pro espelho e o cortei, tão curto que não tinha nem como pentear, era só lavar e passar a mao e ele ficava lá de um único jeito, eu perdi o rumo, me sentia esperando alguma coisa, depois eu vi, era o cabelo crescer, virar coque, rabo, trança, ficar desgrenhado...
Quando nova lá em Itaobim tive uma amiga que tinha um cabelo tão duro que ela entrava no rio e ficava aqueles pingos d’água brilhando ao sol, pra molhar tinha que ficar submersa, senão não molhava, de tão ruim que era .Um dia a mãe conseguiu um pouco de azeite de oliva com meu avô que era português e passava pelo menos uma vez por semana um pouco que colocava numa colher e amornava na lamparina, o cabelo foi crescendo se soltando, ate virar uma trança que batia na bunda, falo que o cabelo dela foi domado no azeite, hoje, depois das escovas definitivas deve sacudir ao vento lá pras bandas de São Paulo.De pequena, lavava meus cabelos com qualquer sabão, quando adolescente que veio a vaidade faltou dinheiro, então o maximo de gasto que me permitia era um sachê de creme rinse, daqueles rosinha que vendia em qualquer farmácia ou venda, tinha que dar pra duas lavadas, pareciam uma vassoura, tipo Gal, Elba Ramalho, Maria Bethania , hoje sei que aquela aparência riponga era falta de salão e produtos bons no mercado.
Uma vez passei Wellim e o bicho ficou tão liso que caia tanto no olho que tive que cortar uma franja e quando passou o efeito fiquei mesmo que ver aquele cantor chamado Ovelha...
Depois dessa proeza, um dia, andando de motocicleta com Nego de Rufino, descobri que o vento nos cabelos os deixava lizinho, pronto passava o dia inteiro querendo andar na garupa ou com a cabeça pro lado de fora de qualquer carro, em tempo de ficar sem a cabeça... Agora que posso comprar, esse cabelo aqui não fica barato não, tenho certeza que se tivesse juntado todo dinheiro que gastei com salão, bons cremes, óleos,pra antes durante e depois, daria pra dar a volta ao mundo. De Finesse, Kerastase, Payot, Aussie, Moroccanoil, Elseve, Tressemme, Pantene, Avon, Natura, Boticário, Phytoervas, Loreal, Dove, creme de tudo que é preço e marca, não faltou um !
Vendo Gisele Bundchen outro dia falando do BB Crem da Pantene, corri a primeira farmácia comprei e fui toda feliz pra falar com aquela minha amiga do salão, ela do alto de seu conhecimento capilar foi logo falando, ‘’Ela “ nasceu com aquele cabelo, qualquer coisa que ela passar,até titica de galinha, o cabelo vai brilhar, balançar e ser lindo, mas esse seu, só nascendo de novo, isso é em outra encarnação !
É, se não é pra chorar, graça eu não achei nenhuma, mas minha afilhada que mora em Teófilo-otoni me pediu outro dia que mandasse Yamasterol , um creme pós enxágüe que custa 2.90 reais mandei e comprei um pra mim, pois acreditem ou não, foi a melhor coisa que meu cabelo já viu , daqui pra frente dentro da minha humildade, vou parar de ostentar com ele e voltar as coisas simples, pois depois desse produto o que me lembro que fez bastante diferença foi a água de Nova York, eu nunca tive um cabelo tão bom, como quando estive lá ... .
E se um dia souberem que me mudei pro Azerbaijão podem ter certeza, foi a água boa pros cabelos que me levou tão longe, porque se descobrir que a água de lá é boa pro cabelo, vou e não olho pra traz, me nego a esperar uma nova encarnação pra ter lindas madeixas !
E como insiste aquela amiga, quem nasce pra Gabriela ....
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