terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Fabio Júnior

 Fabio Junior dando tudo de si no Faustao, parece que tá cantando uma incauta ao vivo e a cores, nunca o vi tao inspirado mandando recados entre as musicas e cantando "senta aqui " entao...

Se nao fosse verdade nao  seria ingraçado, mas que ele sabe fazer a média ah! ele sabe...

Quando começa todas se acham a metade da laranja dele com pouco tempo acho que ele muda de gosto de laranja e procura a outra banda, na verdade acho que vai passar a vida procurando e muitas vao querer pagar pra ver, se fosse solteira até eu pagaria, e voce ?

Carne e Unha

Alma Gêmea

Bate coração

As metades da laranja

Dois amantes, dois irmãos

Duas forças que se atraem

Sonho lindo de viver

Estou morrendo de vontade

De você!

terça-feira, 16 de novembro de 2021

O peso é esquecido quando o outro carrega.

O peso é  esquecido quando o outro carrega.


Outro dia me encontrei com uma medica cubana pra um cafe, foi antes do segundo turno e  acabei conhecendo o marido, um sujeito de sorriso facil e vida ja definida, por ela claro ! 

O sujeito era pedreiro, ela o incentivou a tirar a carteira de motorista, comprou um carro e ele agora dirige um uber...

A tristeza dela com o medo de ir embora só não era maior que a alegria dele com a esperança da vitoria do Bozo.

Ela reclamava dos filhos que nao quiseram vir passear e que agora se tivesse que ir embora talvez eles perdessem a oportunidade de conhecer Minas, também tinha a filha dele que ja morava com eles e que ela nesse ano e meio de relacionamento, já considerava como filha, os pacientes que a tratavam como filha e a saudade que teria de todos.

Ela por varias vezes chorou preocupada e triste de ter que ir embora e deixar pra traz, as coisas que aprendeu a amar ...

O sujeito, calmo entre um gole de cafe e um naco de queijo demonstrava uma alegria que nem parecia que era a esposa que estava correndo risco de ir embora,  a tristeza dela e a tranquilidade dele irritava.

Deu vontade de falar o que me engasgava :

Que o folgado e oportunista queria mais era a vitoria do cadidato dele e a expulsão dela, pra ficar no bem bom e com a vida livre e resolvida, estava pouco se importando se ela gostava daqui, dele ou da enteada..

Infelizmente é o que agora acontece, ela terá que ir embora. 

Hoje lendo as noticias afirmando o descompromisso descaso e desrespeito do candidato eleito, ela ainda terá que lidar com a dor  causada pelo interesse de um eleitor defensor da etica,  da honestidade e da moralidade que no frigir dos ovos se deu bem e fica sonhando em ficar com os bem por ela adquiridos.

É, infelizmente não dá pra sentir orgulho do que estamos vendo nesse futuro governo, mas pior do que ele são os defensores da ordem e do progresso, do verde e amarelo que exaltam a honestidade  e ai, nesse caso se esquece o quanto pesava o tijolo...

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

É só um voto!

 É só um voto !


Até eu sou melhor de raciocínio que Dilma pra falar, mas ela me representa. Eu me orgulho de ter uma mulher com a historia de vida e de política como a dela, pra me representar, pode ter certeza que tenho!

Se ela ganhar com um voto a mais, foi o meu, dado com o coração e a certeza de dias melhores, pra quem deles precisa e merece...

E se esse candidato treinado pela vida boa, de farras e festas, conquistados com o nome do avô morto há trinta anos, que deve treinar tempo e palavras perder por um voto, foi o meu, que ele nunca teve e nem terá. Ele o perdeu depois da primeira campanha, lá em Itaobim, quando fazia da casa de Marão seu QG de campanha, com esse mesmo sorriso, que na época não conhecíamos, enganou a todos da nossa cidade e o resto do Vale do Jequitinhonha e lá só voltou, anos depois, pra conseguir mais votos, pra se eleger Deputado Federal.

Perdeu esse único voto com o “choque de gestão”, quando sucateou o Ipsemg e Minas Gerais com a sua ingestão e enganação que tivemos que engolir por todos esses anos.

Perdeu, perdeu, perdeu!

É um voto único, que a mim pertence e que sempre dei a quem acreditei. Posso não ter tido candidatos vitoriosos sempre que votei, mas eu nunca, com meu único voto ajudei a eleger picaretas pra me arrepender depois.

Domingo, de vermelho e bandeira em punho, vou lá, tentar com um único voto, tirar da minha garganta o nó que guardo, na perda de alegria é até de vida, de alguns amigos, colegas e desconhecidos, que vi com muito sofrimento e perdas, que eu tinha certeza que se esse play boizinho das pitangas, tivesse responsabilidade com o bem publico as estórias seriam diferentes .

Foda-se Aécio e seu choque de ingestão!

E viva eu, que sobrevivi e tô aqui pra lhe dar o meu choque nas urnas!

É Dilma!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Pra refletir

 Pra refletir.


No momento em que nascemos, independente da cor, raça ou credo, aprendemos uma unica coisa que precisaremos por todos os dias de nossas vidas :

Respirar !

Respirar se consiste no ato de inspirar o ar e expirar,isso é encher os pulmões de ar e coloca-lo pra fora.E por todos anos que tivermos precisamos aprender a deixar de respirar.

Morrer é deixar de respirar! 

E todos tem medo... 

Quando nascemos aspiramos a vida é assim a todos os momentos a vida sai um pouco de nós guando expiramos...

Saber viver é aceitar e compreender que um dia não vamos mais saber respirar e ao invés de trazer a vida vamos deixa_la ir.

Simples assim, nascemos pra aprender a morrer

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Se eu pudesse...

 Se tem uma coisa que se eu pudesse pedir a Deus e ser atendida seria estar no lugar de algumas pessoas .

Ficar um pouco no lugar de Lula pra ele ir ao médico com o irmão  antes dele morrer poder dar um abraço  e dizer que tudo ficaria bem...

Chegar na casa do neto dele no aniversário ou de surpresa num dia qualquer pra busca lo depois da aula e eu lá presa no lugar dele...

Tenho um amigo ligado ao Bipap que seu eu pudesse  meu rim já estava nele, só não daria o meu coração pois ainda preciso que bata e sinta o meu amor pelos meus...

Já vi e sofri vendo pessoas queridas numa morte lenta, num sofrimento que não tinha data pra acabar e o mundo em volta acontecendo e a saudade do que ela já não estava vivendo.

Em vários momentos tenho essa vontade de estar só um pouquinho no lugar do outro, pra ele ir ver algo que não prestou atenção, comer novamente o doce predileto e que sente falta do gosto, ou simplesmente ir dar um abraço apertado com as forcas que ainda tem em quem quer bem.

E hoje, ontem e há dias queria estar no lugar de uma pessoa muito especial pra mim, que fraca , insegura e sem saber até quando,  espera, anseia e precisa estar de volta  pra rir, dançar, fazer planos, colorir a vida, ser quem é!.

Das coisas que aprendi e entendi é a finitude da vida e morrer pra mim é definitivo, sem dor nem planos, simplesmente a continuidade da vida nos que ficam junto da saudade das bonécias feitas e vividas por quem já foi.

Nada posso além do meu  querer,  então rezo e peço a Deus misericórdia, pra quem sofre e sente dores que por eles não posso sentir, e no final só me cabe esperar, me cuidar, pra que esse corpo que carrego, independente dos anos que terei, tenha qualquer pedacinho saudável, pra que de alguma forma tire as dores e prolongue por qualquer tempo  o tempo de outro e assim  ficarei em paz, sabendo que mesmo "depois" consegui ser útil.

É isso, um pouquinho do que penso e gostaria.

Que Deus fortaleça sempre a esperança de quem precisa e que a fé seja sempre maior  que o  nosso medo


Escrito em agosto de 2019

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Tortura musical

 Hoje me senti incomodada por um idiota, grosso e infeliz.

Minha risada e minha voz sempre foi solta, falo e canto muito, canto na rua, no chuveiro... e acreditem um desses infusado que lutam contra a vida pra manter o mau humor, deu de estar ao meu lado no meu trajeto pro trabalho, eu feliz da vida, com o ceu azul e o sol quente, ia saltitante cantarolando baixinho... 

Vai, minha tristeza, e diz a ela

Que sem ela não pode ser

Diz-lhe, numa prece, que ela regresse

1qq...Porque eu não posso mais sofrer


Chega de saudade, a realidade é que sem ela

Não há paz, não há beleza

É só tristeza e a melancolia

Que não sai de mim, não sai de mim, não sai


Mas, se ela voltar, se ela voltar

Que coisa linda, que coisa louca

Pois há menos peixinhos a nadar no mar

Do que os beijinhos que eu darei na sua boca


A criatura do meu lado fala : vinha andando atraz de voce e voce cantando essa musica ... tambem tem doido de todo jeito umas até que bem arrumadinha e afinada nem parece... voce nao sabe cantar uma de novela nao?

Ai que eu mereço, andar calada, não cantar minha paz e alegria pra parecer normal e do outro lado da Afonso Pena o som de uma academia berrava incentivando os alunos com:


Chiclete! oba oba 

Chiclete! oba oba 


Eu mereço ou quer mais?





domingo, 1 de agosto de 2021

Espelho.

 Acordo agradecida  todos  os dias e durno agradecendo todas as noites.

Me  enfeito, me maqueio me perfumo e me arrumo, só  pra mim e por mim.

Quando posto minhas fotos é  pra deixar claro que sou uma mulher visivel por dentro e por fora.

As rugas  e o tempo me mostram todos os dias a pessoa que me tornei.

Sou mais  generosa e mais leve com os outros e muito mais comigo.

Apredi nas experiências  dos  outros o que  faz bem e o qué nao faz, o que doi mais com algumas atitudes e que nao preciso repetilas   pra doer em mim.

Bom humor, positivismo e fé  me traz esperanca de que antes, durante e após  qualquer tempestade a bonança sempre chegará,  o sol sempre brilhará pra secar a tempestade que eu aproveitarei  pra tomar um bom banho  de agua do céu.

Tô forte, tô  firme,  tô  pronta  pra receber o que vier ,

A vida sempre vai nos trazer o que esperamos, o universo que segundo meu  bisneto já  é  diverso, te escuta e atende os seus anseios, se eu quero paz tenho que  pensar em paz, se eu quero amor, tenho que pensar com amor  e buscando a luz meus caminhos ficarão mais faceis pra caminhar...

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Meu marido e Tadeu Martins Soares

 Meu marido, pai dos meus filhos, avô dos meus netos e bisavô do meu bisneto, que está comigo há 39 anos, não é deputado, não é prefeito, não é vereador e muito menos Tadeu Leite .

Meu marido é Tadeu Martins Soares!

Foi candidato a prefeito de BH,  não se elegeu, porque preferiram esse dai que agora estão todos reclamando, pelo preço das passagens, pelas obras inacabadas ou inexistentes, pelo distanciamento com o povo da cidade, pelo autoritarismo e pelo descaso com a saúde, educação e com a cultura!

Tadeu Martins foi também candidato a Deputado Federal e os eleitores principalmente da  nossa região não votaram, não reconheceram a sua competência, honestidade e respeito pelo que ao povo pertence, o que demonstrou em toda sua vida, em todos os trabalhos e locais por onde passou .

Tadeu sempre foi o amigo da hora, o coração puro e dedicado às causas populares que enalteceu e trabalhou em favor da cultura e da liberdade de cada um, quando o povo se prendia ao longo dos anos ao jugo do coronelismo que encabrestava a nossa região. Ele direcionou o Vale pra ser visto, conhecido e respeitado pela sua arte e beleza. Portanto quem viu sabe, e quem não viu ficou sabendo por meio de registro em toda mídia falada e escrita  o que aqui estou dizendo.

Os jovens de hoje que estão começando a ocupar as ruas defendendo a Pátria e buscando agora por melhorias necessárias à população, que tenham pela vida uma caminhada firme e constante, pois esta sempre foi a busca de Tadeu Martins, que desde os seus 15 anos sempre caminhou nesta direção e defendeu esta bandeira.

O meu Tadeu, é quem eu amo, quem eu respeito e de quem tenho orgulho, todos os dias. 

Então minha querida colega de trabalho, esse que é buscado pela justiça, por falcatruas desonestidade e outras coisitas mais, não é Tadeu Martins!

domingo, 4 de julho de 2021

Vergonha de algumas mulheres de Minas

 VERGONHA DE ALGUMAS MULHERES DE MINAS


Desde que eu me mudei para Belo Horizonte, em 1979, constantemente a cidade é manchete nacional  pelas crianças jogadas no lixo. Morei por muito tempo em Itaobim, no Vale do Jequitinhonha, tida como uma das regiões mais pobres do Brasil, no entanto, tanto lá como em outros lugares, o que pode ser comprovado pela imprensa, mesmo com todas as dificuldades, as mulheres não jogam fora os seus filhos. 

Eu tive meus filhos lá, sem estrutura nenhuma,  sem trabalho, sem a presença do marido, que estudava em Belo Horizonte, e eu só tinha 16 anos,  portanto  posso falar de cadeira, já que é  uma situação que vivi. 

Hoje vendo a liberdade que as mulheres adquiriram, é absurdo e inaceitável continuarmos vendo mulheres jogarem seus filhos no lixo. Aqui é a Capital de Minas, com toda a assistência necessária ao ser humano; aqui, a qualquer momento, se chama a imprensa por tudo: briga de vizinho, falta de remédios, maus tratos infantis; para tudo tem pessoas ou ONGs solidárias, socorremos até vítimas de Tsunamis do outro lado do mundo. Depois, existem vários meios contraceptivos e gratuitos. 

Na televisão, nos jornais e em conversas, é falado o tempo todo  de pessoas que querem adotar, que querem ter filhos e da dificuldade e do quanto são caros os  tratamentos que ajudam na fertilização. No entanto continuam jogando crianças no lixo. 

Será que as mulheres com vontade de adotar crianças, com amor para compartilhar, não servem para ser mães?  Claro que não, deve ser a resposta das mulheres que jogam seus filhos no lixo. Pois partindo do principio de que você vê nos outros o que você  é,  então  o lixo é o lugar mais adequado para jogarem seus filhos, pois são incompetentes, são inconseqüentes e acima de tudo, são umas párias, que não perceberam mas tiveram a dádiva de ter filhos. Ainda bem, que sempre depois do lixo, tem alguém com amor, carinho e vontade de  adotá-los, e mesmo assim, ainda temos que agradecer por encontrá-los vivos  e saudáveis, ao  invés de ter adquirido uma doença grave, pela irresponsabilidade e desamor daquelas mães, se é que merecem este nome. Aí sim, teríamos que chorar pela saúde ou pelas vidas perdidas pela irresponsabilidade daquelas mulheres.

É por tudo isto que sinto vergonha de algumas mulheres de Minas .  

                                                 


                                                  Solange Mendes

domingo, 16 de maio de 2021

 Simplicidade.

Se a criança acordou dorme, dorme filhinho, tudo calmo ficou, mamãe tem Auris-Sedina dorme, dorme, filhinho com Auris-Sedina!
E assim eram feitas as propagandas de remédio pra dor de ouvido.
Estava num almoço domingueiro lá em minha filha e Tadeu vendo que a Cholinha dela estava coçando o ouvido que também estava inflamado, foi a farmácia e voltou com esse remédio, ai me lembrei da música e da propaganda.
Cholinha eram como se chamava os cachorros lá em Itaobim. Não sei bem de onde veio esse nome, mas isso me faz lembrar uma amiga, que chegando aqui em BH, vendo uma cachorrinha cheia de pose e raça foi logo chamando: “vem cá cholinha”, e a dona muito chique, se achou indignada e dissertou sobre a raça, pedigree, nome e preço...
Minha amiga, que daquilo nada entendia, na saída afagou a cholinha e feliz da vida em sua simplicidade, foi embora!
Mas é isso, querer impor um saber a quem não se preocupa com ele, chega a ser engraçado.
Numa época fui há um sitio de uma amiga, onde ia ter de almoço um bacalhau, e eu resolvi fazer um caruru que é uma comida deliciosa, típica da Bahia, pois além de muitas especiarias, a base é camarão e quiabo.
Todos sabem que quiabo tem baba, mas quem gosta, até esquece esse detalhe, mas pra quem não gosta....
A moça, caseira do sitio, ficou toda satisfeita quando lhe levei o caruru. À noite, toda refestelosa, foi pra lá, sentar na varanda, pra conversar fiado.
E eu toda orgulhosa do meu tempero, que todos haviam apreciado no almoço, puxando assunto, perguntei se tava bom o caruru. Ela, sem papas na língua e nenhum vestígio de boas maneiras foi logo dizendo:
Nossa Senhora! Tava tão babento, que nem os cachorros comeram e eu tive que jogar pros porcos e acho que nem eles gostaram.
Só pensei no trabalho de cortar aquele tanto de ingredientes, no gasto e no gosto tão bom de todas as especiarias e a pessoa jogou pros bichos ...
É, nem todo pitéu tem o mesmo gosto pra todos!
E passamos a noite rindo, contando casos.
Para Júnia Britto e Euna Britto de Oliveira
Vladimir Pola Martins e Flávia Cristina Lana

 Por onde passou o pão que eu comia.

Quando Pôla era pequeno, pedia a ele pra ir comprar pão na padaria, lá em baixo do prédio onde morávamos. Na época não tinha perigo.
Lá no Maleta, onde morávamos, já existiam os bares, que já começavam o dia com os tontos da noite anterior, muitos pareciam ate que moravam nos bares, pois a qualquer hora do dia ou da noite já estavam lá.
Descia Pôla e eu ficava preparando o café. Teve dia que arrumei a cozinha varri a casa e ele nada de trazer o pão.
Um dia resolvi, depois de muita demora, ir atrás, quando cheguei na portaria, olhei pros lados e avistei de longe ele e o pão. A bisnaga era solta no alto da escada rolante e na descida saia do pacote, ele descia correndo a recolocava no saco e subia de novo. Eu fiquei olhando pra ver até onde ia, quando depois de fazer isso umas cinco vezes ele resolveu caçar o caminho de casa ...
As mesas cheias, já que essa farra toda tinha tomado a manhã, ele avistando alguns conhecidos chegava por trás, batia a bisnaga na cabeça do sujeito dando bom dia, batia nas mesas de quem não conhecia, quando deu de olhar pra portaria e me viu, já prevendo uns bons cascudos, foi logo dizendo: “eu tava brincando porque esse pão tá meio murcho...”.
Ai subimos pra casa, eu fula de raiva, lembrando dos pães amassados que todo dia comia, das cabeças daqueles cabeludos que pareciam não ter nenhum asseio, e da escada rolante imunda que subia e descia com todos os porra loucas que freqüentavam o prédio.
A partir dali a ajuda dele foi dispensada.
De outra feita, desço e escuto uma risada dele, olho pros lados e chegando mais perto percebi que era numa livraria em frente a um restaurante. Debaixo da banca de livros, feliz da vida ele lia um livro, que o dono, já amigo dele, deixava. Estava ali passando o tempo, matando aula feliz da vida.
Quando saia à rua, era normal parar na porta do prédio e gritar a plenos pulmões com os soldados montados:
Abaixo Figueiredo!
Filhotes da ditadura !
Um cavalo em cima do outro!
Eles olhavam aquele fiapo gritando impropérios e continuavam impávidos seguindo seu caminho...
Pôla teve uma infância plena, participando de tudo, brincando, criando com tudo e se formando em quem é hoje. Simples, leve e, acima de tudo, resiliente. Brincou com o que tinha, aprendeu com o que lia e se posicionou gritando forte!
Ainda bem que ele só gritava pelo que ouvia, porque se soubesse que anos depois um cavalo sem rédeas, e dando coices, chegaria a presidência do país, o estilingue que ele tinha teria serviço. Aí, nem muitos cascudos frearia a valentia de Pôla!