sábado, 25 de fevereiro de 2017
Enfastiada
Enfastiada
o
Quando Fernado Collor saiu da presidência, todos os dias ele cumpria um ritual,
acordava impreterivelmente as 6:45, tomava um desjejum, lia os jornais diários, e de de terno completo, pegava sua pastinha, atravessava a rua da casa da Dinda e ia pro seu escritório do outro lado, voltava pra casa no horário, almoçava com Rosane Collor, filhos ou algum amigo intimo e no horário de retornar ao Palácio do Planalto atravessava a rua...
Funcionava como se presidente fosse, li isso num livro que se chama Noticias do Planalto, numa semana que passamos em Araxá num treinamento do Rh , eu na beira da piscina tomando um sol, engolindo o livro, enquanto as colegas de trabalho seguia os trabalhos de campo..
Na época achava que ele tava meio que pirando, hoje aposentada estou que nem ele.
Descubro os olhos depois de meditar e rezar e acordo pra o dia, pode ser 7, 8.10.11,12 a hora que for, tomo meu desjejum, na cama ou na cozinha, preparado por mim ou por Tadeu , que varia de pão quente com queijo, frutas, sucos, café e quando a fome ta negra vai ate uma farofa de ovos na manteiga com muita cebola, banana da terra frita, cuscuz com ovo...
Levanto visto uma roupa qualquer e vou fazer minha make, pinto os olhos, dou uma cor na sobrancelha, passo rimel , um batom bem vermelho, umas borrifadas de perfume Frances e to pronta !
Parto pra área, pego a vassoura e vou varrer casa, fazer comida ouvindo musica, quando inspirada danço e canto mais alto que o som !
É gente, vida de aposentada e de cassado não é mole não, se você não se cuidar se desleixa, portanto hoje entendo Fernando Collor e ele me ensinou muito com o que na época achei doidice, do jeito que ele devia sentir a falta do poder e de pra onde ir, hoje sinto falta das minhas colegas de trabalho, não estão aqui pra ver o que estou vestindo ou calçando, não sabem o cheiro bom do meu perfume novo que veio de Cuba, não vêem a beleza da sombra com glitter...
Mulher se cuida mesmo é pras outras e elas fazem falta, meu marido se me ver numa cadeira de rodas só vai ver o que é se eu pedir pra empurrar, tenho os peões da obra em frente, que se refestelam em me ver pra lá e pra cá, até assobiam quando abro as cortinas mas não entendem nada do que to dizendo.Acho que estou enfastiada, vou ali fazer uma aula de inglês, assim os States vem mais pra perto, e eu vou ter mais o que fazer.
Fui!u
sábado, 7 de janeiro de 2017
Eu por eu mesma
Eu por eu mesma.
Estava ali na cozinha fazendo um cuscuz, quando precisei de um sabão, pra pôr na máquina, peguei um sabão feito por mim, enquanto o cheiro tao bom de uma carne enchia a cozinha....
Melhor que essa só o pernil que fiz pro natal, pensei: - Tudo que faço é bom! Gente,tem hora que nem eu acredito no tanto de coisas que faço e olha que é bem feito. Cozinho bem, bordo, faço bijuterias, flores de papel, costuro,sou boa conselheira, escrevo, faço alguns artesanatos, bonecas, minhas unhas e cabelo, me maquio e escolho o que vestir com segurança sem pensar na opinião dos outros, tenho estilo, faço a melhor palha italiana do pedaço e todos os doces que quero, farofa e outros pratos criados por mim e ainda sonho sempre com todos os caras lindos que me interessam na TV. Acho tudo lindo e engraçado, rio mais de mim que dos outros, me amo até dizer chega. Olho pra mim no espelho e não quero mudar nada. Quer saber, se eu pudesse nascer de novo seria igualzinha, sem tirar nem pôr nada. Eu gosto tanto de mim, que tenho certeza que quem me conhece, além de concordar comigo, ainda vai escrever um tanto de outras coisas que não escrevi aqui.
Ai ! Deus me proteja, me abençoe e faça com que eu só seja melhor para os outros porque pra mim eu me basto!
Melhor que essa só o pernil que fiz pro natal, pensei: - Tudo que faço é bom! Gente,tem hora que nem eu acredito no tanto de coisas que faço e olha que é bem feito. Cozinho bem, bordo, faço bijuterias, flores de papel, costuro,sou boa conselheira, escrevo, faço alguns artesanatos, bonecas, minhas unhas e cabelo, me maquio e escolho o que vestir com segurança sem pensar na opinião dos outros, tenho estilo, faço a melhor palha italiana do pedaço e todos os doces que quero, farofa e outros pratos criados por mim e ainda sonho sempre com todos os caras lindos que me interessam na TV. Acho tudo lindo e engraçado, rio mais de mim que dos outros, me amo até dizer chega. Olho pra mim no espelho e não quero mudar nada. Quer saber, se eu pudesse nascer de novo seria igualzinha, sem tirar nem pôr nada. Eu gosto tanto de mim, que tenho certeza que quem me conhece, além de concordar comigo, ainda vai escrever um tanto de outras coisas que não escrevi aqui.
Ai ! Deus me proteja, me abençoe e faça com que eu só seja melhor para os outros porque pra mim eu me basto!
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
Comigo não violão !
Comigo não violão!
Trânsito engarrafado eu tranquilamente ouvindo The Doors... Ando de vidros abertos sem medo nenhum do perigo e la na rua Pitangui que é muito estreita, os motoqueiros tem que ter perícia pra passar entre os carros... Aí, to eu parada e vem um motoqueiro, para do meu lado e fala : Me passa seu telefone... O que? Seu telefone, ai ja fala alto por causa do som .. Meu telefone? o que? tá doido? pirou? O sujeito deu linha e eu fiquei lá me achando, o casal do carro ao lado meio sem entender arrancaram o carro, eu seguindo o fluxo, continuei meu caminho pra buscar meu neto na escola. .. A noite na festa, já animada, cheia de cerveja começam as conversas de tontos e eu fui contar vantagem, que o cara tinha me cantado querendo meu telefone ... Hoje depois de uma boa noite de sono e um suculento café da manhã feito por meu amado marido que confia plenamente no taco dele, comecei a pensar direito. .. Eu saí com uma touca de inverno vermelha, tava uma feiura só , tinha uma festa pra ir e pra não estragar a escova fiz essa guaribada. Meu filho deixou o carregador no carro e eu coloquei o celular pra carregar e estava bem exposto. Eureka! Era o telefone que o sujeito queria! Com aquele minha aparência ninguém se arriscaria a se equilibrar pra chegar tão perto, minha cantada não passou de uma tentativa de assalto! Podia até não estar linda, mais com minha braveza e fidelidade, aquele babaca não levou a melhor . A noite, toda embonecada me achando linda contei essa proeza. Mas como dizia minha mãe quem não se enfeita, por si se enjeita, mesmo sem me ajeitar e confundindo assalto com cantada, em mim e no que é meu, só põe a mão quem eu deixar e pra isso minha coragem é parelha com bandido. Comigo não violão ! 3/10/2016 |
Treinador arrojado
Treinador arrojado
Fui buscar meu bisneto na escola, sempre que vou, levo lanche a bola e deixo ele brincar...
Hoje Tatiana e Gisele também foram, Tati reencontrou alguns amigos e ficou de conversa com uma delas.
Os amigos do Henrique foram saindo e ele me chamou pra jogar bola e la foi eu, no meu sedentarismo perene atendi. ..
Agora to aqui, parece que distendeu alguma coisa e que me contundi.
Quando comecei a mancar e falei que doía a batata da perna,ele falou que era por que eu estava chutando fraco e que se chutasse forte passava, nos meus 58 anos sem nunca fazer nenhum esforço, tive de correr, cercar e ainda acertar o gol, fui acreditar num menino de 7 anos e agora to assim, um bagaço !
Pelo jeito a noite vai ser longa, o pior é que ele mandou eu descansar que amanhã vamos treinar de novo. ..
Acho que errei de programa, se eu tivesse panfletando pro candidato daqui de casa, estaria livre dessa bola e dessa dor.
Amanhã vou convencê lo de que é melhor ficar aqui, pra eu ficar sentada com minhas pernas descansando e me poupando, que senão dia da eleição manca como estou, vou ter que sair de casa, no dia anterior.
E o número do candidato é 54007, votem pra mim porque com esse treinador que arranjei, campanha política só nas outras eleições !
Promessas
Promessas
Fiz uma promessa pra Nossa Senhora Aparecida que se eu estiver viva quando Gisele fizer 7 anos iremos a Aparecida do norte assistir uma missa e agradecer por nossas vidas e saúde.
Fiz esse plano de unir o útil ao agradável, viajar com minha neta levá-la pra conhecer o maior e mais emocionante lugar de peregrinação do Brasil e de quebra me garantir mais uns anos de vida.
Depois de ir lá, vou também fazer outra promessa de ir a Lapa quando ela tiver 15 , depois iremos ver o Papa em Roma e se tudo correr dentro do planejado vou chegar a quase 80...
Espero que os Santos atendam minhas preces porque vontade e saúde pra isso eu tenho, se bem que do jeito que as coisas andam nem neles da pra confiar. Tem um livro de Dráuzio Varella que narra bem essa história dos pacientes terminais que se negam a morrer e cobrar a fé que tem, daí o direito de viver mesmo Deus não querendo...
Os crentes no desespero até repreendem a morte em nome de Jesus, mas como Ele é filho de Deus e obedece o Pai, não tem jeito, pode até achar que se salvou mas morre também.
Minha mãe dona de grande fé em Deus, apegada a tudo que vinha de cima tem anos que como meu.pai que também era assim está lá em cima cuidando de ser meus Anjos da Guarda.
Meu irmão com toda fé, otimismo e alegria, achou que fazendo graça, fazendo história ia ser poupado, também não escapou e agora pela primeira vez, to indo pro dia de finados levar flores e enganar a tristeza num lugar que temos certeza ele não queria estar. ..
É, contando com os Santos a sorte e acima de tudo a misericórdia Divina vou ficando por aqui, tentando tirar um cochilo pra viajem ficar mais curta e rápida , porque o sono eterno não espero e nem quero por agora,. tenho muito que ver, dar risada correr muito atrás dos netos e bisneto, viajar com meu neném. ..
Deus, meu pai, minha Luz, meu amor maior sabe, que eu só escrevo, brinco e falo bobagens, mais que dentro do meu peito, meu coração bate até o dia que Ele quiser, por que quando Ele não quiser é só me chamar que eu vou,, rindo, feliz e cantando .....
É preciso saber viver e com Ele eu sei, aqui ou lá.
Fiz esse plano de unir o útil ao agradável, viajar com minha neta levá-la pra conhecer o maior e mais emocionante lugar de peregrinação do Brasil e de quebra me garantir mais uns anos de vida.
Depois de ir lá, vou também fazer outra promessa de ir a Lapa quando ela tiver 15 , depois iremos ver o Papa em Roma e se tudo correr dentro do planejado vou chegar a quase 80...
Espero que os Santos atendam minhas preces porque vontade e saúde pra isso eu tenho, se bem que do jeito que as coisas andam nem neles da pra confiar. Tem um livro de Dráuzio Varella que narra bem essa história dos pacientes terminais que se negam a morrer e cobrar a fé que tem, daí o direito de viver mesmo Deus não querendo...
Os crentes no desespero até repreendem a morte em nome de Jesus, mas como Ele é filho de Deus e obedece o Pai, não tem jeito, pode até achar que se salvou mas morre também.
Minha mãe dona de grande fé em Deus, apegada a tudo que vinha de cima tem anos que como meu.pai que também era assim está lá em cima cuidando de ser meus Anjos da Guarda.
Meu irmão com toda fé, otimismo e alegria, achou que fazendo graça, fazendo história ia ser poupado, também não escapou e agora pela primeira vez, to indo pro dia de finados levar flores e enganar a tristeza num lugar que temos certeza ele não queria estar. ..
É, contando com os Santos a sorte e acima de tudo a misericórdia Divina vou ficando por aqui, tentando tirar um cochilo pra viajem ficar mais curta e rápida , porque o sono eterno não espero e nem quero por agora,. tenho muito que ver, dar risada correr muito atrás dos netos e bisneto, viajar com meu neném. ..
Deus, meu pai, minha Luz, meu amor maior sabe, que eu só escrevo, brinco e falo bobagens, mais que dentro do meu peito, meu coração bate até o dia que Ele quiser, por que quando Ele não quiser é só me chamar que eu vou,, rindo, feliz e cantando .....
É preciso saber viver e com Ele eu sei, aqui ou lá.
terça-feira, 17 de novembro de 2015
Esse brinco não tem na Galeria Lafayette
Outro dia fui num velório me encontrar com uma amiga pra matar a saudade, pois ela estava voltando da Europa, levada pela mãe que passeia por meio mundo.
Depois de conhecer a filha conheci a mãe e no final gosto das duas e de quem mais as cercam, as filhas, os maridos, as irmãs, os sobrinhos e até de Angélica , que trabalha no sítio da família.
Essa dai de anjo nada tem, pois com quinze dias de resguardo e a uma semana da morte do marido, conheceu um moço, que chegou na porta pedindo um copo d’água e perguntou pelo pai da criança que ela carregava no colo. Ela chorosa contou a tragédia e ele não se fazendo de rogado já foi logo perguntando, você não me quer pra ajudar criar sua filha não?
- Pula pra dentro - ela respondeu imediatamente, claro, de olhos azuis, com o nome de Deusmar mas que Dele não tem nada pois é bravo que só, ele pulou e lá permanece há uns dezoito anos com mais seis filhos que tiveram...
A mãe, minha amiga, viaja e viaja, quando não esta num carro ou avião viaja na emoção.
Poetisa de carteirinha, romântica que só, escreve aos borbotões, sobre a vida, as flores os amigos, a fé, o que vê, o que crê ... .
Quando esta pras bandas de lá , traz mimos pra todos, tem curiosidade pra conhecer tudo e foi nesse encontro que ela me prometeu um pirulito especial vindo diretamente da Holanda .
Tenho amigas queridas que me trazem cremes anti age, perfumes que perfumam a mim e lugares onde chego, mais só ela com sua cabeça moderna pra trazer esse mimo, em Amsterdam, entrou em Sexshop viu toda qualidade e modelo de coisas de arrepiar cabelos e outras partes, as filhas, vermelhas como pimentão escutam as historias, lembram os presentes , mas vindo com tanto carinho da mãe, foi melhor aceitar...
Nesse velório enquanto me contava as peripécias da viajem e eu rindo de atrapalhar a concentração dos que sofriam com a perda, enxerguei na outra sala onde velavam outra pessoa, uma senhorinha com um brinco lindo na orelha, mudei o foco do pensamento e com toda doçura que me é peculiar quando preciso, fui la, perguntei quem era a pessoa e de que tinha morrido.
Fiquei por ali, mostrei meu pesar e fui direto ao ponto, onde comprou e quanto custou aquele brinco, a doninha tinha comprado lá pros lados de Santa Luzia por 10 reais, ofereci vinte, ela aceitou, dei os meus a ela, coloquei os brincos dela na minha orelha e toda feliz voltei pro nosso velório e as historias da Holanda, com minha amiga que achou diferente a minha coragem de negociar um brinco no cemitério .
É, como eu falei, ela é que é diferente e especial, pois o pirulito que me deu, veio junto com muitos outros que se esquecendo de guardar ficou no fácil e os netos depois de achar, foi uma alegria só, afinal cannabis sativa fez a tarde mais animada , as brincadeiras mais engraçadas ..
Agora penso nas filhas dela, acho que não tiveram curiosidade de brincar com os presentes e balançando meus brincos, agradeço a Deus e peço mais saúde para que ela faça mais viagens e viaje...
Depois de conhecer a filha conheci a mãe e no final gosto das duas e de quem mais as cercam, as filhas, os maridos, as irmãs, os sobrinhos e até de Angélica , que trabalha no sítio da família.
Essa dai de anjo nada tem, pois com quinze dias de resguardo e a uma semana da morte do marido, conheceu um moço, que chegou na porta pedindo um copo d’água e perguntou pelo pai da criança que ela carregava no colo. Ela chorosa contou a tragédia e ele não se fazendo de rogado já foi logo perguntando, você não me quer pra ajudar criar sua filha não?
- Pula pra dentro - ela respondeu imediatamente, claro, de olhos azuis, com o nome de Deusmar mas que Dele não tem nada pois é bravo que só, ele pulou e lá permanece há uns dezoito anos com mais seis filhos que tiveram...
A mãe, minha amiga, viaja e viaja, quando não esta num carro ou avião viaja na emoção.
Poetisa de carteirinha, romântica que só, escreve aos borbotões, sobre a vida, as flores os amigos, a fé, o que vê, o que crê ... .
Quando esta pras bandas de lá , traz mimos pra todos, tem curiosidade pra conhecer tudo e foi nesse encontro que ela me prometeu um pirulito especial vindo diretamente da Holanda .
Tenho amigas queridas que me trazem cremes anti age, perfumes que perfumam a mim e lugares onde chego, mais só ela com sua cabeça moderna pra trazer esse mimo, em Amsterdam, entrou em Sexshop viu toda qualidade e modelo de coisas de arrepiar cabelos e outras partes, as filhas, vermelhas como pimentão escutam as historias, lembram os presentes , mas vindo com tanto carinho da mãe, foi melhor aceitar...
Nesse velório enquanto me contava as peripécias da viajem e eu rindo de atrapalhar a concentração dos que sofriam com a perda, enxerguei na outra sala onde velavam outra pessoa, uma senhorinha com um brinco lindo na orelha, mudei o foco do pensamento e com toda doçura que me é peculiar quando preciso, fui la, perguntei quem era a pessoa e de que tinha morrido.
Fiquei por ali, mostrei meu pesar e fui direto ao ponto, onde comprou e quanto custou aquele brinco, a doninha tinha comprado lá pros lados de Santa Luzia por 10 reais, ofereci vinte, ela aceitou, dei os meus a ela, coloquei os brincos dela na minha orelha e toda feliz voltei pro nosso velório e as historias da Holanda, com minha amiga que achou diferente a minha coragem de negociar um brinco no cemitério .
É, como eu falei, ela é que é diferente e especial, pois o pirulito que me deu, veio junto com muitos outros que se esquecendo de guardar ficou no fácil e os netos depois de achar, foi uma alegria só, afinal cannabis sativa fez a tarde mais animada , as brincadeiras mais engraçadas ..
Agora penso nas filhas dela, acho que não tiveram curiosidade de brincar com os presentes e balançando meus brincos, agradeço a Deus e peço mais saúde para que ela faça mais viagens e viaje...
quarta-feira, 27 de maio de 2015
Do São João a Miami só é preciso coragem!
Do São João a Miami só é preciso coragem!
Quando pequena eu tomava leite de cabra.
Meu pai acostumado as delicias nordestinas nos ensinou desde cedo que leite de cabra era mais gostoso e mais forte .
Pra garantir minha robustez ele carregava uma cabra amarrada na carroceria do caminhão e em qualquer lugar, Bida, esse era o nome dela, tinha leite fresco e quente pra me alimentar...
Depois quando comecei a estudar ela também se acomodou na nossa casa, que tinha um quintal que ia de uma rua a outra, com pés de manga, figo, goiaba, urucun e uma horta que só tinha couve, toda tarde meus irmãos levava a cabra pra pastar, enquanto eu tentava pegar girinos, num córrego sujo que tinha na beira da linha férrea, pra ver se viravam sapos.
Parei de viajar com meu pai por volta dos sete anos, pra estudar, pois ninguém entrava na escola antes disso e você passava esse tempo solto na vida, só por conta de brincar e sonhar.
Meu pai tinha um caminhão que era pau – de- arara, a estrada era nossa casa, no caminhão além da lona que cobria e os bancos de madeiras onde as pessoas se sentavam, não podia faltar um fogão e tudo que uma cozinha precisava.
Rapadura, farinha, feijão carne de sol, banha de porco e vontade de minha mãe fazer comida em qualquer parada, muitas vezes fomos à Brasília levar trabalhadores pra serem contratados pra trabalhar naquela que hoje é a capital do país. A primeira vez que fui, o moço que contratava os trabalhadores, por não ter lugar no alojamento, nos levou pra um hotel que também estava tendo uma reforma feita por ele e ali pela primeira vez, tive contato com as beneficias de quem tem dinheiro .
A noite minha mãe ligava e pedia o jantar, chegava o garçom com uma sopa que antecedia o jantar, eu e meu irmão, nos fartávamos de comer, de chegar a ter congestão de tanta barriga cheia, pois o gosto era bem diferente das gororoba feita nas estradas e alem da comida boa, conheci e aprendi a telefonar ali, toda hora eu tinha alguma coisa pra falar na recepção....
Passar por São Paulo era doer o pescoço de tanta curiosidade, vendo aquele amontoado de gente e aqueles prédios que nem eu nem meus irmãos tínhamos coragem de subir, minha irma nasceu lá.
No Rio de Janeiro, o mar com aquela onda que corria atrás da gente, me faz ter medo dele até hoje, pois meu pai, com os parentes de minha mãe que lá moravam, só diziam que a onda levava, que a maré derrubava e eu que nunca que ia arriscar, lá também nasceu uma irmã e outros em vários lugares...
Viajar por dias e dias não era das melhores coisas a fazer, mas só percebi isso depois, quando fincamos os pés em Valadares.
Lá andar de bicicleta, ouvir falar da América e estudar fez uma grande diferença na minha vida, ir a programas de auditório, foi um passo pra começar a cantar na radio Educadora e Por um Mundo Melhor que quase me fez ser cantora.
No Natal ganhava bonecas da Estrela, bicicleta, até um acordeon ganhei um dia, tinha muita diversão e liberdade, muitas alegrias com carnavais no Ilusão, desfiles com carros alegóricos que enchiam os olhos e o coração de orgulho e mais ainda, quando minha irmã foi destaque.
Mas mudar de mala e cuia pra Itaobim de um dia pro outro, me fez parar de sonhar e viver uma realidade que só depois de estar bem longe me fez ter alguma saudade.
Sentia falta de muita coisa, me tiraram a boa escola, os amigos, televisão, música, livros e festas, mas logo me adaptei a falta de tudo e comecei a brincar de boi com maxixe, de cozinhadinha, de subir nos pés de manga, de coco, de comer frutas do mato, de pescar com minhoca tirada da terra, de lavar roupas com as lavadeiras do Hotel, de arear as panelas com areia e mato, de fazer sabão com soda, de matar galinhas, matar passarinhos com estilingue, redar na beira do córrego, engolir piaba viva pra aprender a nadar, matar e cozinhar cobra, participar dos sambas em mãe Nora, dançar nas festas juninas de Dé Rodrigues, correr atrás do boi de janeiro, ser pastorinha nas folias de Reis, tomar cachaça quente em Guiomar Ferraz, comer as comidas esquisitas de Canjira, atravessar a ponte de bicicletas com as mãos soltas, jogar o material escolar de cima da ponte no quintal de Julao e descer correndo pra buscar com medo dele e planejar durante dias uma descida de bananeira pelo córrego São João.
Foram tantas aventuras que quando paro pra pensar nem eu acredito, por isso escrevo pra não esquecer...
Numa das vezes em que fomos descer nas bananeiras não consegui descer a tempo e como não sabia nadar cheguei ate o rio Jequitinhonha as amigas de aventura gritaram e um canoeiro conseguiu me tirar de lá, mas se por um momento eu tivesse lembrado dos amigos de Valadares, ia dar um safanão no canoeiro, seguir boiando e quem sabe chegar até Miami, nadar eu nunca aprendi, mais coragem eu tinha de sobra!
Meu pai acostumado as delicias nordestinas nos ensinou desde cedo que leite de cabra era mais gostoso e mais forte .
Pra garantir minha robustez ele carregava uma cabra amarrada na carroceria do caminhão e em qualquer lugar, Bida, esse era o nome dela, tinha leite fresco e quente pra me alimentar...
Depois quando comecei a estudar ela também se acomodou na nossa casa, que tinha um quintal que ia de uma rua a outra, com pés de manga, figo, goiaba, urucun e uma horta que só tinha couve, toda tarde meus irmãos levava a cabra pra pastar, enquanto eu tentava pegar girinos, num córrego sujo que tinha na beira da linha férrea, pra ver se viravam sapos.
Parei de viajar com meu pai por volta dos sete anos, pra estudar, pois ninguém entrava na escola antes disso e você passava esse tempo solto na vida, só por conta de brincar e sonhar.
Meu pai tinha um caminhão que era pau – de- arara, a estrada era nossa casa, no caminhão além da lona que cobria e os bancos de madeiras onde as pessoas se sentavam, não podia faltar um fogão e tudo que uma cozinha precisava.
Rapadura, farinha, feijão carne de sol, banha de porco e vontade de minha mãe fazer comida em qualquer parada, muitas vezes fomos à Brasília levar trabalhadores pra serem contratados pra trabalhar naquela que hoje é a capital do país. A primeira vez que fui, o moço que contratava os trabalhadores, por não ter lugar no alojamento, nos levou pra um hotel que também estava tendo uma reforma feita por ele e ali pela primeira vez, tive contato com as beneficias de quem tem dinheiro .
A noite minha mãe ligava e pedia o jantar, chegava o garçom com uma sopa que antecedia o jantar, eu e meu irmão, nos fartávamos de comer, de chegar a ter congestão de tanta barriga cheia, pois o gosto era bem diferente das gororoba feita nas estradas e alem da comida boa, conheci e aprendi a telefonar ali, toda hora eu tinha alguma coisa pra falar na recepção....
Passar por São Paulo era doer o pescoço de tanta curiosidade, vendo aquele amontoado de gente e aqueles prédios que nem eu nem meus irmãos tínhamos coragem de subir, minha irma nasceu lá.
No Rio de Janeiro, o mar com aquela onda que corria atrás da gente, me faz ter medo dele até hoje, pois meu pai, com os parentes de minha mãe que lá moravam, só diziam que a onda levava, que a maré derrubava e eu que nunca que ia arriscar, lá também nasceu uma irmã e outros em vários lugares...
Viajar por dias e dias não era das melhores coisas a fazer, mas só percebi isso depois, quando fincamos os pés em Valadares.
Lá andar de bicicleta, ouvir falar da América e estudar fez uma grande diferença na minha vida, ir a programas de auditório, foi um passo pra começar a cantar na radio Educadora e Por um Mundo Melhor que quase me fez ser cantora.
No Natal ganhava bonecas da Estrela, bicicleta, até um acordeon ganhei um dia, tinha muita diversão e liberdade, muitas alegrias com carnavais no Ilusão, desfiles com carros alegóricos que enchiam os olhos e o coração de orgulho e mais ainda, quando minha irmã foi destaque.
Mas mudar de mala e cuia pra Itaobim de um dia pro outro, me fez parar de sonhar e viver uma realidade que só depois de estar bem longe me fez ter alguma saudade.
Sentia falta de muita coisa, me tiraram a boa escola, os amigos, televisão, música, livros e festas, mas logo me adaptei a falta de tudo e comecei a brincar de boi com maxixe, de cozinhadinha, de subir nos pés de manga, de coco, de comer frutas do mato, de pescar com minhoca tirada da terra, de lavar roupas com as lavadeiras do Hotel, de arear as panelas com areia e mato, de fazer sabão com soda, de matar galinhas, matar passarinhos com estilingue, redar na beira do córrego, engolir piaba viva pra aprender a nadar, matar e cozinhar cobra, participar dos sambas em mãe Nora, dançar nas festas juninas de Dé Rodrigues, correr atrás do boi de janeiro, ser pastorinha nas folias de Reis, tomar cachaça quente em Guiomar Ferraz, comer as comidas esquisitas de Canjira, atravessar a ponte de bicicletas com as mãos soltas, jogar o material escolar de cima da ponte no quintal de Julao e descer correndo pra buscar com medo dele e planejar durante dias uma descida de bananeira pelo córrego São João.
Foram tantas aventuras que quando paro pra pensar nem eu acredito, por isso escrevo pra não esquecer...
Numa das vezes em que fomos descer nas bananeiras não consegui descer a tempo e como não sabia nadar cheguei ate o rio Jequitinhonha as amigas de aventura gritaram e um canoeiro conseguiu me tirar de lá, mas se por um momento eu tivesse lembrado dos amigos de Valadares, ia dar um safanão no canoeiro, seguir boiando e quem sabe chegar até Miami, nadar eu nunca aprendi, mais coragem eu tinha de sobra!
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