segunda-feira, 5 de julho de 2021

Meu marido e Tadeu Martins Soares

 Meu marido, pai dos meus filhos, avô dos meus netos e bisavô do meu bisneto, que está comigo há 39 anos, não é deputado, não é prefeito, não é vereador e muito menos Tadeu Leite .

Meu marido é Tadeu Martins Soares!

Foi candidato a prefeito de BH,  não se elegeu, porque preferiram esse dai que agora estão todos reclamando, pelo preço das passagens, pelas obras inacabadas ou inexistentes, pelo distanciamento com o povo da cidade, pelo autoritarismo e pelo descaso com a saúde, educação e com a cultura!

Tadeu Martins foi também candidato a Deputado Federal e os eleitores principalmente da  nossa região não votaram, não reconheceram a sua competência, honestidade e respeito pelo que ao povo pertence, o que demonstrou em toda sua vida, em todos os trabalhos e locais por onde passou .

Tadeu sempre foi o amigo da hora, o coração puro e dedicado às causas populares que enalteceu e trabalhou em favor da cultura e da liberdade de cada um, quando o povo se prendia ao longo dos anos ao jugo do coronelismo que encabrestava a nossa região. Ele direcionou o Vale pra ser visto, conhecido e respeitado pela sua arte e beleza. Portanto quem viu sabe, e quem não viu ficou sabendo por meio de registro em toda mídia falada e escrita  o que aqui estou dizendo.

Os jovens de hoje que estão começando a ocupar as ruas defendendo a Pátria e buscando agora por melhorias necessárias à população, que tenham pela vida uma caminhada firme e constante, pois esta sempre foi a busca de Tadeu Martins, que desde os seus 15 anos sempre caminhou nesta direção e defendeu esta bandeira.

O meu Tadeu, é quem eu amo, quem eu respeito e de quem tenho orgulho, todos os dias. 

Então minha querida colega de trabalho, esse que é buscado pela justiça, por falcatruas desonestidade e outras coisitas mais, não é Tadeu Martins!

domingo, 4 de julho de 2021

Vergonha de algumas mulheres de Minas

 VERGONHA DE ALGUMAS MULHERES DE MINAS


Desde que eu me mudei para Belo Horizonte, em 1979, constantemente a cidade é manchete nacional  pelas crianças jogadas no lixo. Morei por muito tempo em Itaobim, no Vale do Jequitinhonha, tida como uma das regiões mais pobres do Brasil, no entanto, tanto lá como em outros lugares, o que pode ser comprovado pela imprensa, mesmo com todas as dificuldades, as mulheres não jogam fora os seus filhos. 

Eu tive meus filhos lá, sem estrutura nenhuma,  sem trabalho, sem a presença do marido, que estudava em Belo Horizonte, e eu só tinha 16 anos,  portanto  posso falar de cadeira, já que é  uma situação que vivi. 

Hoje vendo a liberdade que as mulheres adquiriram, é absurdo e inaceitável continuarmos vendo mulheres jogarem seus filhos no lixo. Aqui é a Capital de Minas, com toda a assistência necessária ao ser humano; aqui, a qualquer momento, se chama a imprensa por tudo: briga de vizinho, falta de remédios, maus tratos infantis; para tudo tem pessoas ou ONGs solidárias, socorremos até vítimas de Tsunamis do outro lado do mundo. Depois, existem vários meios contraceptivos e gratuitos. 

Na televisão, nos jornais e em conversas, é falado o tempo todo  de pessoas que querem adotar, que querem ter filhos e da dificuldade e do quanto são caros os  tratamentos que ajudam na fertilização. No entanto continuam jogando crianças no lixo. 

Será que as mulheres com vontade de adotar crianças, com amor para compartilhar, não servem para ser mães?  Claro que não, deve ser a resposta das mulheres que jogam seus filhos no lixo. Pois partindo do principio de que você vê nos outros o que você  é,  então  o lixo é o lugar mais adequado para jogarem seus filhos, pois são incompetentes, são inconseqüentes e acima de tudo, são umas párias, que não perceberam mas tiveram a dádiva de ter filhos. Ainda bem, que sempre depois do lixo, tem alguém com amor, carinho e vontade de  adotá-los, e mesmo assim, ainda temos que agradecer por encontrá-los vivos  e saudáveis, ao  invés de ter adquirido uma doença grave, pela irresponsabilidade e desamor daquelas mães, se é que merecem este nome. Aí sim, teríamos que chorar pela saúde ou pelas vidas perdidas pela irresponsabilidade daquelas mulheres.

É por tudo isto que sinto vergonha de algumas mulheres de Minas .  

                                                 


                                                  Solange Mendes

domingo, 16 de maio de 2021

 Simplicidade.

Se a criança acordou dorme, dorme filhinho, tudo calmo ficou, mamãe tem Auris-Sedina dorme, dorme, filhinho com Auris-Sedina!
E assim eram feitas as propagandas de remédio pra dor de ouvido.
Estava num almoço domingueiro lá em minha filha e Tadeu vendo que a Cholinha dela estava coçando o ouvido que também estava inflamado, foi a farmácia e voltou com esse remédio, ai me lembrei da música e da propaganda.
Cholinha eram como se chamava os cachorros lá em Itaobim. Não sei bem de onde veio esse nome, mas isso me faz lembrar uma amiga, que chegando aqui em BH, vendo uma cachorrinha cheia de pose e raça foi logo chamando: “vem cá cholinha”, e a dona muito chique, se achou indignada e dissertou sobre a raça, pedigree, nome e preço...
Minha amiga, que daquilo nada entendia, na saída afagou a cholinha e feliz da vida em sua simplicidade, foi embora!
Mas é isso, querer impor um saber a quem não se preocupa com ele, chega a ser engraçado.
Numa época fui há um sitio de uma amiga, onde ia ter de almoço um bacalhau, e eu resolvi fazer um caruru que é uma comida deliciosa, típica da Bahia, pois além de muitas especiarias, a base é camarão e quiabo.
Todos sabem que quiabo tem baba, mas quem gosta, até esquece esse detalhe, mas pra quem não gosta....
A moça, caseira do sitio, ficou toda satisfeita quando lhe levei o caruru. À noite, toda refestelosa, foi pra lá, sentar na varanda, pra conversar fiado.
E eu toda orgulhosa do meu tempero, que todos haviam apreciado no almoço, puxando assunto, perguntei se tava bom o caruru. Ela, sem papas na língua e nenhum vestígio de boas maneiras foi logo dizendo:
Nossa Senhora! Tava tão babento, que nem os cachorros comeram e eu tive que jogar pros porcos e acho que nem eles gostaram.
Só pensei no trabalho de cortar aquele tanto de ingredientes, no gasto e no gosto tão bom de todas as especiarias e a pessoa jogou pros bichos ...
É, nem todo pitéu tem o mesmo gosto pra todos!
E passamos a noite rindo, contando casos.
Para Júnia Britto e Euna Britto de Oliveira
Vladimir Pola Martins e Flávia Cristina Lana

 Por onde passou o pão que eu comia.

Quando Pôla era pequeno, pedia a ele pra ir comprar pão na padaria, lá em baixo do prédio onde morávamos. Na época não tinha perigo.
Lá no Maleta, onde morávamos, já existiam os bares, que já começavam o dia com os tontos da noite anterior, muitos pareciam ate que moravam nos bares, pois a qualquer hora do dia ou da noite já estavam lá.
Descia Pôla e eu ficava preparando o café. Teve dia que arrumei a cozinha varri a casa e ele nada de trazer o pão.
Um dia resolvi, depois de muita demora, ir atrás, quando cheguei na portaria, olhei pros lados e avistei de longe ele e o pão. A bisnaga era solta no alto da escada rolante e na descida saia do pacote, ele descia correndo a recolocava no saco e subia de novo. Eu fiquei olhando pra ver até onde ia, quando depois de fazer isso umas cinco vezes ele resolveu caçar o caminho de casa ...
As mesas cheias, já que essa farra toda tinha tomado a manhã, ele avistando alguns conhecidos chegava por trás, batia a bisnaga na cabeça do sujeito dando bom dia, batia nas mesas de quem não conhecia, quando deu de olhar pra portaria e me viu, já prevendo uns bons cascudos, foi logo dizendo: “eu tava brincando porque esse pão tá meio murcho...”.
Ai subimos pra casa, eu fula de raiva, lembrando dos pães amassados que todo dia comia, das cabeças daqueles cabeludos que pareciam não ter nenhum asseio, e da escada rolante imunda que subia e descia com todos os porra loucas que freqüentavam o prédio.
A partir dali a ajuda dele foi dispensada.
De outra feita, desço e escuto uma risada dele, olho pros lados e chegando mais perto percebi que era numa livraria em frente a um restaurante. Debaixo da banca de livros, feliz da vida ele lia um livro, que o dono, já amigo dele, deixava. Estava ali passando o tempo, matando aula feliz da vida.
Quando saia à rua, era normal parar na porta do prédio e gritar a plenos pulmões com os soldados montados:
Abaixo Figueiredo!
Filhotes da ditadura !
Um cavalo em cima do outro!
Eles olhavam aquele fiapo gritando impropérios e continuavam impávidos seguindo seu caminho...
Pôla teve uma infância plena, participando de tudo, brincando, criando com tudo e se formando em quem é hoje. Simples, leve e, acima de tudo, resiliente. Brincou com o que tinha, aprendeu com o que lia e se posicionou gritando forte!
Ainda bem que ele só gritava pelo que ouvia, porque se soubesse que anos depois um cavalo sem rédeas, e dando coices, chegaria a presidência do país, o estilingue que ele tinha teria serviço. Aí, nem muitos cascudos frearia a valentia de Pôla!

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Planejando ficar viva


Minha irma de ilhéus ligou pra dar parabéns e saber os planos pra de noite ...
Depois de uma certa idade o plano é ficar vivo...
Ontem, com Serafim meu sobrinho planejamos sair e ir pro Alambique, boate, churrascaria e tudo que tivesse direito, afinal não é todo dia que se faz aniversario.
Hoje acordei com um super café na cama feito pelo meu filho e sai pra trocar presente e comprar algo que sei que mereço, cheguei e logo depois, chega Narinha e Amanda minha sobrinha e afilhada e saímos pra almoçar, brindar né, afinal não é todo dia que se fica mais velha...
Cerveja gelada, ri daqui, lembra dali, almoça e cá to eu: acabada !
O almoço resumiu minha comemoração, podia ter tomado, suco de laranja, como faço quase todo dia, não, fui comemorar, beber,brindar ...
É gente, os janeiros estão pesando, se eu quiser chegar a Nova York vou ter que maneirar, porque depois de uma certa idade o trem fica feio, e não to aqui pra morrer de dor de cabeça, de barriga e fingir que esta tudo bem ....
Me deem um engov, um chá de boldo, café forte, canja de galinha, bicarbonato qualquer coisa mais me ajudem a sobreviver, pensar que antes eu tomava cachaça, vodca com sal,com laranja com tomate, rabo de galo, martíni, cortezano, catuaba,Jurubeba, porradinha, cerveja quente, gelada, uísque, rum e qualquer coisa que embebedasse e hoje to aqui morta, com menos de meia dúzia de cerveja!
É, pouca cerveja e muita idade não combina.
Minha irma, participante dessa arrasadeira ta morrendo, falou que foi o pobre do camarão, coitada, ainda se ilude, o que fez mal foi o excesso de idade .
Agora depois de um café forte, to aqui tentando raciocinar e por no papel a experiência da maioridade que se resume em, com menos idade se pode tudo, com mais idade se pode menos, dizem que se fica mais experiente, e é mesmo, e ela me diz já bebi que chega, dancei, virei noites na farra, agora, o que eu quero mesmo é só lembrar e falar sobre isso, porque praticar bebedeira, comilança, noites em claro só mesmo pra gente inexperiente ...
Quer saber, bom mesmo é vida saudável, nunca vi dizer que sucos, refrigerante, dá ressaca e como já experimentei todos os destilados existentes, agora chegou a hora de dar uma chance pra natureza e naturalmente ficar mais velha .
E experiência pra mim é assim, sei e quero o que é bom, se isso é ser velha, tô de boa, tem coisa que me embriagam sem álcool:
O cheiro de chuva na terra, manga madura, pequi no arroz e o suor de meu Neném quando o sol quente entra pela janela.
Ai meu bem não tem idade que resista e que venha 56,57,58,59..

Aniversario de 2014

Meu anjinho protetor

Meu anjinho potretor

Henrique de pijamas cochilando, eu pintando as unhas da GG e o Rafa bem mau humorado com o atraso da mae ....
Cai a mochila do Rafa e eu, cuidado, segura direito pois seu computador pode quebrar!
Ele bem nervoso com a demora e mais ainda por eu errar o aparelho grita:
Vó não é computador é TABLET!
o Henrique abriu o olho que já estava fechando e falou:
Rafa se você brigar com minha Vó eu vou ficar bravo e vou brigar com você, ta bem?
Eu toda orgulhosa falei :
Que lindo o neném protegendo a vovó, dá uma abraço aqui ...
Vovó eu não vou te "potreger com abraço não, eu vou te potreger é falando....
Fechou o olho e dormiu!
Quando eu falo que quem tem Deus tem amigos ...

Tem uma família que traz verduras lá de Moeda e vende aqui na esquina de casa, por saberem que eu gosto, trouxeram cana pra mim, está bem docinha, isso me faz lembrar minha adolescência, indo buscar cana e garapa lá em Seu Guiomar Ferraz.
 Tinha dia que era buscar garapa, no outro comprar cachaça, ai eu aproveitava para experimentar, pois perto do alambique ficava uma cuia e quem quisesse bebia, e não tinha esse negocio de idade não, seu Guiomar ou os ajudantes virava as costas e rapidamente se virava a cuia numa rapidez só, a cachaça descia queimando e mais ainda porque era quente, só de ver o rosto vermelho, os olhos brilhado e rindo a toa já dava pra imaginar ...
Depois, descer aquela ladeira de bicicleta, na banguela, de mãos solta, sentindo o vento no rosto, era liberdade total !
Liberdade também era descer abraçada nos pés de bananeira de Seu Mariano, pelo córrego São João, fumando um cigarro Continental sem filtro, surrupiado de minha Mãe e sem saber nadar ...
Vida de interior não é brinquedo não, aprendi a beber, a fumar e a ter coragem !
 Engolindo lambaris vivos, redados na beira do córrego, não aprendi a nadar por mais que insistisse,mas cozinhando os cascudos, bagres e as piabas que consegui, aprendi fazer uma boa moqueca.
Já fiquei com os dentes blocos de tanto chupar cana, manga verde com sal e tamarindo caído do pé.
Mas voltando aos dias de hoje,depois da cana lembrando de casa, me empolguei!
Por não ter saquinho pra chup-chup( minha Mãe fazia e mais dava pros meninos do que vendia) fiz uns copinhos de picolé de abacate e de manga e nesse final de semana quando os netos chegarem, tudo aqui vai ficar grudento, pois meninos não gostam de lavar as mãos e pega o copinho, mela a mao, pega na mesa, pula na cama, vem pro computador e minha casa vai ficar assim, cheia de doce como são meus netos...
Hoje peço a Deus que os proteja , minha Mãe naquela época se soubesse o que eu aprontava ia pedir proteção pra natureza, comer peixe minúsculo e vivo, pescar peixe pequenos, cortar pés de bananas pra boiar no córrego e ainda caçar passarinhos pra fazer cozinhado ....
Ah! mais essa é outra estória , depois eu conto!