Com ou sem, sorrir é o melhor remédio!
Quando tinha dez anos numa das viagens com meu pai fomos parar em Caruaru .
Na maior feira que eu tinha visto, entre farinhas, verduras, frutas e vários animais pra corte, fiquei sem rumo de tanto aromas e cores...
Menina, eu só queria uma boneca, uma bolsa de palhinhas colorida e comer alfenins que são bichinhos branquinho, feito de cana de açúcar.
Minha mãe comprava tudo que via pela frente, meu pai tomando uma Pitú e comendo uma buchada de bode numa das muitas barracas de comida só dizia a minha mãe pra achar as dentaduras ...
É minha gente na feira de Caruaru tinha varias dentaduras expostas a sol e chuva, as pessoas experimentavam ali mesmo, se desse certo isto é se encaixasse levavam...
Meu pai queria comprar uma, não sei de onde ele tirou que sabia o tamanho da boca de seu Ananias um velho amigo lá de Valadares, que era o seu braço direito .
Depois me lembro lá de Itaobim, numa eleição um amigo nosso, candidato a vereador saiu distribuindo umas dentaduras que um protético fez e como não pegaram nem pagaram, passou a ser trocada por voto, só que no dia, muitos dos “sortudos” que haviam comprometido o voto pra não perder a oportunidade de ter dente de novo, demoravam a chegar na zona eleitoral, o candidato com medo de perder, correu pras casas dos eleitores, as criaturas com a boca inchada, mal podiam falar e acabaram sem condição de manter a palavra, ele ainda insistiu que tirassem a dita e fossem , com medo de ficar sem o "presente" ninguém atendeu, ele como não pagou nada por elas só perdeu a eleição.
Passado um tempo, pelo menos uns dez tiveram sorte, o encaixe ficou perfeito, o sorriso largo durou por muitas eleições, pena que o “benfeitor” desistiu e não puderam pagar o voto.
Mas voltando o assunto, uma amiga casou, o marido morava e trabalhava em são Paulo e ela ficava em Itaobim.
Todo ano ele chegava abonado, comprando e pagando tudo, ate acabar o dinheiro, ai começava a beber, encher o saco, ate que os parentes dela faziam uma vaquinha e ele voltava pra são Paulo, sendo que toda vez que ia, ela ficava grávida, assim tiveram 8 filhos e enquanto por lá ele estava, cá a família tinha que acudir ela e a prole.
De tanto engravidar e a cada gravidez piorando os dentes teve que tirar todos, ficou uns 4 anos banguela e ele no mesmo batidão indo e vindo...
Uma vez cheguei, ela toda feliz foi me ver e claro mostrar os dentes e mais um menino que nasceu , rimos, conversamos, ela contou das dificuldades do casamento, pois as brigas constantes e a intromissão da família em nada ajudava pois ele não mudava ...
Dias depois ele já planejando a volta e ela preocupada pois a família tinha dado um cheque mate, ou ela se separava ou eles não ajudavam mais...
Meses depois quando chegou, ela mesmo triste e saudosa, ouviu a família, e acabou o casamento. Ele, revoltado mandou uma carta, que eu só acreditei porque ela me deu pra ler, com muita saudade e mágoa ele dizia, que ela estava dando importância aos outros e que não mais o queria, por isso, não era justo, ela ficar rindo com os dentes que ele lhe deu e que trabalhou muito pra pagar....
Achei um absurdo e falei que mais gastos ela teve, por ter que cuidar só, daquele monte de filhos de não se cuidar e blá, bla, bla !
Não adiantou nada meu pitaco, antes de vir nós encontramos, ela pendurada de meninos me deu um abraço morrendo de rir, logo percebi, tinha devolvido a dentadura !
Uns dois anos depois, quando chego e vou descendo do ônibus, vejo o casal, com dois dos meninos numa bicicleta, me cumprimentam aos gritos pois desciam ladeira da estrada de Jequitinhonha, ela aponta o guidão e com um sorriso cheio de dentes de fora a fora, toda feliz, grita toda orgulhosa :
Olha o presente que ganhei !
Uma coisa eu sei, se não fosse o dinheiro de São Paulo, muita gente não tinha sido feliz !
Na maior feira que eu tinha visto, entre farinhas, verduras, frutas e vários animais pra corte, fiquei sem rumo de tanto aromas e cores...
Menina, eu só queria uma boneca, uma bolsa de palhinhas colorida e comer alfenins que são bichinhos branquinho, feito de cana de açúcar.
Minha mãe comprava tudo que via pela frente, meu pai tomando uma Pitú e comendo uma buchada de bode numa das muitas barracas de comida só dizia a minha mãe pra achar as dentaduras ...
É minha gente na feira de Caruaru tinha varias dentaduras expostas a sol e chuva, as pessoas experimentavam ali mesmo, se desse certo isto é se encaixasse levavam...
Meu pai queria comprar uma, não sei de onde ele tirou que sabia o tamanho da boca de seu Ananias um velho amigo lá de Valadares, que era o seu braço direito .
Depois me lembro lá de Itaobim, numa eleição um amigo nosso, candidato a vereador saiu distribuindo umas dentaduras que um protético fez e como não pegaram nem pagaram, passou a ser trocada por voto, só que no dia, muitos dos “sortudos” que haviam comprometido o voto pra não perder a oportunidade de ter dente de novo, demoravam a chegar na zona eleitoral, o candidato com medo de perder, correu pras casas dos eleitores, as criaturas com a boca inchada, mal podiam falar e acabaram sem condição de manter a palavra, ele ainda insistiu que tirassem a dita e fossem , com medo de ficar sem o "presente" ninguém atendeu, ele como não pagou nada por elas só perdeu a eleição.
Passado um tempo, pelo menos uns dez tiveram sorte, o encaixe ficou perfeito, o sorriso largo durou por muitas eleições, pena que o “benfeitor” desistiu e não puderam pagar o voto.
Mas voltando o assunto, uma amiga casou, o marido morava e trabalhava em são Paulo e ela ficava em Itaobim.
Todo ano ele chegava abonado, comprando e pagando tudo, ate acabar o dinheiro, ai começava a beber, encher o saco, ate que os parentes dela faziam uma vaquinha e ele voltava pra são Paulo, sendo que toda vez que ia, ela ficava grávida, assim tiveram 8 filhos e enquanto por lá ele estava, cá a família tinha que acudir ela e a prole.
De tanto engravidar e a cada gravidez piorando os dentes teve que tirar todos, ficou uns 4 anos banguela e ele no mesmo batidão indo e vindo...
Uma vez cheguei, ela toda feliz foi me ver e claro mostrar os dentes e mais um menino que nasceu , rimos, conversamos, ela contou das dificuldades do casamento, pois as brigas constantes e a intromissão da família em nada ajudava pois ele não mudava ...
Dias depois ele já planejando a volta e ela preocupada pois a família tinha dado um cheque mate, ou ela se separava ou eles não ajudavam mais...
Meses depois quando chegou, ela mesmo triste e saudosa, ouviu a família, e acabou o casamento. Ele, revoltado mandou uma carta, que eu só acreditei porque ela me deu pra ler, com muita saudade e mágoa ele dizia, que ela estava dando importância aos outros e que não mais o queria, por isso, não era justo, ela ficar rindo com os dentes que ele lhe deu e que trabalhou muito pra pagar....
Achei um absurdo e falei que mais gastos ela teve, por ter que cuidar só, daquele monte de filhos de não se cuidar e blá, bla, bla !
Não adiantou nada meu pitaco, antes de vir nós encontramos, ela pendurada de meninos me deu um abraço morrendo de rir, logo percebi, tinha devolvido a dentadura !
Uns dois anos depois, quando chego e vou descendo do ônibus, vejo o casal, com dois dos meninos numa bicicleta, me cumprimentam aos gritos pois desciam ladeira da estrada de Jequitinhonha, ela aponta o guidão e com um sorriso cheio de dentes de fora a fora, toda feliz, grita toda orgulhosa :
Olha o presente que ganhei !
Uma coisa eu sei, se não fosse o dinheiro de São Paulo, muita gente não tinha sido feliz !
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